Havana, 30 out (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou hoje uma visita de 22 horas a Cuba, a segunda em 2008, durante a qual assistirá à assinatura de um acordo das petrolíferas Petrobras e Cupet e ratificará o desejo do Brasil de ser o principal parceiro da ilha.

Após deixar San Salvador, onde assistiu à 18ª Cúpula Ibero-Americana, Lula chegou às 17h30 (20h30 em Brasília) ao aeroporto José Martí de Havana, acompanhado de empresários brasileiros que exploram oportunidades de negócios em Cuba.

Lula foi recebido pelo vice-presidente do Conselho de Estado Ricardo Cabrisas.

Com esta segunda visita a Havana em nove meses -terceira desde que é presidente-, Lula faz um novo gesto político em direção a Cuba e, além disso, ratificará a solidariedade brasileira para com a ilha após a passagem de dois furacões que causaram perdas calculadas por fontes oficiais em mais de US$ 5 bilhões.

Hoje à noite o presidente brasileiro terá uma reunião e, depois, um jantar com o chefe de Estado cubano, general Raúl Castro, e amanhã assistirá à inauguração em Havana de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Nesse ato está prevista a assinatura do acordo com o qual a Petrobras adquirirá os direitos de prospecção e exploração de petróleo em águas profundas cubanas no Golfo do México.

A Petrobras e a Cupet concretizarão, assim, um memorando de entendimento assinado em janeiro, no qual a primeira se comprometia a responder à oferta de participar da prospecção da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) cubana antes de seis meses.

Embora a resposta tenha demorado mais tempo, a operação em Cuba da companhia brasileira representa um respaldo às pretensões da ilha de captar petrolíferas para os 112 mil quilômetros quadrados de sua ZEE.

Recentemente, a companhia petrolífera canadense Sherritt anunciou a retirada desse negócio em Cuba, enquanto continuam no país a hispano-argentina Repsol-YPF, a norueguesa Norsk Hydro, a indiana Oil and Natural Gas Corporation (ONGC), Petronas da Malásia, a Petróleos de Venezuela S/A e a vietnamita PetroVietnam.

Segundo fontes brasileiras, Lula convidará o general Raúl Castro para visitar o Brasil em dezembro.

Além disso, pedirá que o presidente cubano assista à Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, que acontecerá em Salvador (BA) entre 16 e 17 de dezembro.

Se o líder cubano aceitar, seria a primeira viagem de Raúl Castro ao exterior como presidente.

Lula esteve em Havana em 14 e 15 de janeiro e se reuniu com o líder Fidel Castro, na época ainda presidente titular de Cuba, sobre quem disse que mantinha "uma lucidez incrível".

Nesta ocasião, não foi anunciada uma nova reunião com o ex-presidente, que não aparece em público desde que ficou doente, em julho de 2006.

Lula chegou acompanhado de empresários brasileiros, entre os quais promoveu pessoalmente as oportunidades de negócios e investimentos na ilha, informaram à Agência Efe fontes brasileiras.

"Desde que Lula chegou, houve várias missões nos dois sentidos para explorar pela primeira vez negócios", afirmou um diplomata.

O Brasil abriu ao Governo cubano uma linha de crédito de US$ 200 milhões para a compra de alimentos, tanto agropecuários como industrializados.

Cuba importa mais de 80% dos alimentos consumidos por seus 11,2 milhões de habitantes.

No setor agrícola, também existe um acordo para assessoria na produção de 40 mil hectares de soja que já trouxe a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) à ilha.

Desde janeiro foram negociados vários acordos no total de US$ 400 milhões ou US$ 500 milhões para setores como infra-estruturas de estradas e para a compra de colheitadeiras brasileiras de arroz e cana-de-açúcar.

Também há projetos sobre construção de hotéis, casas pré-fabricadas, lubrificantes petroquímicos, provisão de materiais para infra-estruturas elétricas, indústrias siderúrgicas e mecânicas, e montagem de ônibus e reboques, acrescentaram as fontes brasileiras. EFE jlp/db

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