Em Cuba, Correa pede integração na A.Latina para combater crise

Havana, 9 jan (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, defendeu hoje em Cuba um novo e melhor modelo de integração da América Latina para enfrentar o que chamou de pior crise da história do capitalismo.

EFE |

Correa participou de uma conferência na Universidade de Havana, na qual propôs uma "nova arquitetura financeira" regional, com um banco, um fundo de reserva e uma organização de Estados latino-americanos para definir um plano de desenvolvimento diferente da "fracassada agenda do Banco Mundial (BM)".

"Em meio à pior crise que se lembra na história do capitalismo, nossa América requer uma organização capaz de enfrentar os desafios do presente", disse o líder perante um auditório no qual estava o primeiro vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura.

"Acreditamos firmemente que esta é a oportunidade de construir algo novo, diferente e melhor no caso latino-americano. Isto será possível mediante um banco de desenvolvimento regional que se capitalizaria com fundos dos diferentes países, independente do sistema financeiro atual", acrescentou.

Correa completa o segundo dia de visita oficial a Cuba, na qual espera se reunir com o ex-presidente Fidel Castro.

"Não o vi. Gostaria muito de vê-lo, mas não sei seu estado de saúde", disse Correa ao ser consultado pela imprensa.

Ao ser questionado também sobre as relações do Equador com a Colômbia, rompidas desde março de 2008, fez críticas ao país vizinho.

"Como podem caminhar diante de uma agressão? E ainda nos querem impor condições para regular as relações", questionou.

Correa rompeu as relações diplomáticas com o Governo de Bogotá em 3 de março de 2008, dois dias depois de militares colombianos atacarem um acampamento de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na selva equatoriana.

O presidente equatoriano visitou também, nesta sexta-feira em Havana, o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) e percorreu a parte histórica da capital cubana.

Segundo a imprensa oficial cubana, Correa se interessou por alguns produtos biotecnológicos produzidos na ilha, entre eles uma "vacina terapêutica" contra o câncer, e reivindicou a necessidade de aproveitar a "mudança de época" que se vive na América Latina.

O presidente equatoriano pediu a colaboração latino-americana no setor farmacêutico para produzir remédios "em grande escala", perante as necessidades "técnicas" dessa indústria.

A biotecnologia é um dos setores nos quais o Equador procura cooperação cubana, segundo afirmou Correa na quinta-feira, após se reunir com o presidente local, Raúl Castro.

Ambos os líderes presidiram a assinatura de um acordo entre a Secretaria Nacional de Ciência e Tecnologia do Equador, o CIGB e o Centro de Imunologia Molecular com o propósito de estabelecer cooperação neste campo, informou hoje o diário oficial "Granma".

Correa e Castro também assinaram acordos sobre ciência, tecnologia, esporte, educação e energia.

Sobre Cuba, o líder equatoriano disse que "há grandes conquistas no modelo cubano" em saúde e educação, e que "só um néscio poderia negar isso".

"Certamente há grandes problemas, como em qualquer processo, e os primeiros a reconhecê-lo são Raúl e o próprio Fidel", acrescentou Correa, que criticou ainda o embargo comercial e financeiro que os Estados Unidos aplicam sobre a ilha há quase meio século.

"Tenho certeza de que quando acabar esse imoral bloqueio, Cuba vai disparar", concluiu.

Correa deve ir ainda neste sábado à cidade de Santa Clara para visitar o mausoléu do guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara. EFE arj/rr

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