Em ano marcado por protestos estudantis, Felipe Bulnes pede demissão; chefe da pasta de Agricultura também renuncia

O ministro da Educação do Chile, Felipe Bulnes, demitiu-se do cargo nesta quinta-feira, depois de um ano marcado por protestos estudantis por melhorias na educação pública. Foi a segunda renúncia de um ministro da pasta em cinco meses.

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Felipe Bulnes no dia de sua posse como ministro da Educação no palácio La Moneda em Santiago
Reuters
Felipe Bulnes no dia de sua posse como ministro da Educação no palácio La Moneda em Santiago

Também renunciou ao cargo no governo chileno o ministro da Agricultura, José Antonio Galilea, informou o porta-voz oficial, Andrés Chadwic.

Bulnes, que antes foi ministro da Justiça, assumiu no dia 18 de julho passado, em substituição a Joaquín Lavín, ex-prefeito de Santiago, questionado pelos estudantes por seus vínculos com uma universidade privada.

"No dia de hoje, o presidente da República (Sebástian Piñera) aceitou a renúncia do ministro da Educação, Felipe Bulnes, e da Agricultura, José Antonio Galilea", afirmou o porta-voz. "O presidente quer especialmente agradecer o enorme compromisso de ambos os ministros e o excelente desempenho nas funções que tiveram tanto em educação quanto em agricultura."

O ministério da Educação será ocupado, agora, por Haral Beyer, engenheiro comercial e especialista em questões de educação do Centro de Estudos Públicos (CEP). Já o ministério da Agricultura irá para Luis Mayol, até o momento presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e proprietário de várias empresas agrárias.

O ministro Bulnes reuniu-se duas vezes com os líderes estudantis, que cortaram o diálogo, ao considerarem que o governo não tinha intenção de avançar nas reformas propostas.

Os estudantes, que iniciaram seus protestos em abril, querem acabar com um sistema herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que reduziu pelo menos para a metade o aporte público à educação.

Após oito meses, os protestos entram em um momento complexo, com poucos avanços concretos nas reivindicações dos estudantes. Eles exigem que o governo proporcione educação pública para todos, não apenas para os mais pobres, e melhore a qualidade do ensino.

Os estudantes também querem redução dos subsídios do governo para as universidades privadas, o fim do lucro nos estabelecimentos que recebem aportes do Estado e o retorno da administração das escolas - hoje nas mãos dos municípios - ao Estado central. O presidente Piñera afirmou que não há condições de proporcionar educação gratuita e de qualidade para todos.

As mensalidades das universdade no Chile estão entre as mais altas do mundo, comparável ao custo educacional dos países mais ricos, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, os chilenos pagam 85% dos custos do ensino superior dos seus próprios bolsos, mais do que em qualquer outro país desenvolvido, apontou a OCDE.

Com AFP

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