Em choque, moradores de Gaza rezam e fazem ameaças a Israel

Por Nidal al-Mughrabi GAZA (Reuters) - Alguns policiais recitaram suas últimas orações enquanto caíam fatalmente feridos em meio aos destroços dos devastadores ataques aéreos de Israel neste sábado na Faixa de Gaza. Outros, com os membros despedaçados pelas explosões, gritavam ameaças ao Estado judaico.

Reuters |

Funcionários dos hospitais disseram que pelo menos 205 pessoas foram mortas em um dos dias mais sangrentos para os palestinos em 60 anos de conflito. Quase metade eram membros das forças de segurança do grupo islâmico Hamas. Mais de 700 pessoas ficaram feridas.

"Allahu Akbar (Deus é grande). Não há deuses, mas um Deus", grunhia um policial do Hamas estendido perto dos corpos de colegas.

O míssil atingiu 40 representações do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza. Colunas de fumaça e poeira se elevaram sobre a cidade de Gaza

Havia vidros estilhaçados por toda a parte. Funcionários dos hospitais disseram que muitos dos mortos eram pedestres, incluindo 15 mulheres.

A escala do derramamento de sangue não tem precedentes nem mesmo em um território que está acostumado demais à violência.

"É uma guerra. Olhe essa fumaça, olhe esses corpos e os pedaços de corpos. É como no Afeganistão ou Iraque", disse Umm Mohammed enquanto observava um escritório arrasado do Hamas.

Centenas de pessoas lotaram os hospitais em busca de parentes. Muitos mortos ainda não foram identificados por estarem sem cabeça. Equipes de saúde fizeram apelos por ajuda externa.

"Temos falta de tudo, falta equipamento médico, falta anestesia, falta curativos, falta combustível para as ambulâncias, falta remédios, de tudo", gritava Muawiyah Hassanein, chefe do Departamento de Emergência e Ambulâncias de Gaza.

"Não se esperava o que aconteceu. Nossos hospitais não estavam preparados para receber tal número de vítimas", disse Hassanein à Reuters.

Os palestinos qualificaram o ataque de "Massacre do Sábado Negro". O codinome dado por Israel à operação era "Liderança Sólida".

Na maioria, os policiais foram mortos em dois ataques israelenses contra sedes da segurança na cidade de Gaza onde estavam sendo realizados do lado de fora cerimônias de graduação, fato que demonstra que o Hamas foi totalmente pego de surpresa.

Como não há mais espaço nos necrotérios, muitos corpos foram levados para mesquitas na cidade, para onde as pessoas se dirigem para identificar os mortos. Muitos desmaiam ao confirmar a identidade de parentes.

Também faltam túmulos. Algumas famílias tiveram de devolver seus mortos para o hospital porque não encontraram local para enterrá-los.

À medida que anoitecia, continuava sobre a região o barulho dos aviões israelenses, ameaçando nova escalada enquanto militantes palestinos lançavam dezenas de foguetes contra território israelense perto da fronteira de Gaza. Um povo com medo se preparava para mais violência.

"No fim, eles podem retomar o controle da Faixa de Gaza, o que mais eles podem fazer? Mas isso vai resolver o problema? Claro que não", disse o professor Ahmed Abu Baha, de Gaza.

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