Em choque após massacre, Finlândia repensa lei de armas

HELSINQUE (Reuters) - A Finlândia amanheceu na quarta-feira sob o impacto do segundo massacre escolar em menos de um ano e questionando se não seria hora de restringir o direito ao porte de armas no país. O Helsingin Sanomat, maior jornal do país, substituiu seu habitual anúncio da capa por uma foto-pôster de uma mulher colocando uma vela em frente à escola. Sobre uma foto do assassino Matti Saari havia apenas uma pergunta: Por quê?.

Reuters |

"A Internet não pode ser responsabilizada por isso, mas certamente pode-se perguntar até que ponto ela alimenta o lado negro da natureza humana", disse o jornal em editorial.

Saari, de 22 anos, matou 10 pessoas e cometeu suicídio na terça-feira numa escola técnica de Kauhajoki, no oeste da Finlândia. Na véspera, ele havia sido interrogado por policiais devido a um vídeo na Internet em que ele aparece disparando uma pistola num estande de tiro.

A imprensa finlandesa demonstrou indignação pelo fato de a arma não ter sido confiscada, e questionou a lei que o permitiu ter acesso à pistola.

Na terça-feira, o primeiro-ministro Matti Vanhanen disse que a Finlândia deveria cogitar a proibição completa do porte de armas para os cidadãos.

A Finlândia é um dos países mais armados do mundo, embora tenha um dos menores índices de criminalidade.

"O atirador de Kauhajoki tinha uma licença recém-obtida para armas de baixo calibre. Esses calibres bastavam, porém, para acabar com as vidas de muitos jovens e para espalhar amplamente a dor e a destruição sem sentido", disse o Sanomat.

Em novembro, o estudante Pekka-Eric Auvinen, de 18 anos, matou oito pessoas em sua escola antes de se suicidar. Ele também havia deixado um vídeo com ameaças no site YouTube e usou o mesmo calibre de arma que Saari empregaria nesta semana.

"Estou assustada demais e não sei o que fazer. Eu achava esta área segura. Passei a vida toda aqui, era uma cidadezinha segura, mas não sei mais se é segura", disse Sanna Orpana, de 17 anos, que estava na escola Kauhajoki na hora do massacre.

(Reportagem de Brett Young)

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