Em Brasília, líderes sul-americanos buscam mitigar conflitos regionais

BRASÍLIA - Com o conflito entre Colômbia, Equador e Venezuela latente, problemas centenários envolvendo fronteiras e relações turbulentas entre vários países, a América do Sul reafirmará ainda esta semana sua aposta pela integração, por meio da constituição formal da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

EFE |

O Acordo Constitutivo desse novo mecanismo de integração inicialmente chamado de Comunidade de Nações Sul-Americanas, e que agora recebe o nome de Unasul, será assinado em Brasília nesta sexta-feira, em uma nova tentativa de mostrar unidade e aposta conjunta.

Isso é o que o Brasil quer transmitir. O país convocou a cúpula extraordinária com o único objetivo de promover a assinatura do Acordo, depois de os conflitos entre Colômbia, Equador e Venezuela terem levado ao cancelamento da reunião presidencial prevista para março último na cidade colombiana de Cartagena de las Índias.

"Não podemos deter a integração", declarou o chanceler Celso Amorim após a confirmação da cúpula de amanhã em Brasília.

O encontro será realizado em meio a um bombardeio verbal entre Bogotá, Quito e Caracas desde que o Exército colombiano atacou um acampamento das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) em solo equatoriano e que foram reveladas supostas relações entre guerrilheiros e os governos venezuelano e equatoriano.

O conflito que levou à ruptura de relações diplomáticas entre Quito e Bogotá é só mais um na ampla gama de antigas pendências entre os países da Unasul, grupo formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Paraguai e Venezuela.

Esses 12 países dão forma a uma região com mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, 380 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,3 trilhão.

No entanto, mais que a unidade tão esperada, na região têm ganhado força os conflitos políticos.

O diálogo entre Argentina e Uruguai está virtualmente parado há três anos devido à instalação de uma fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia em um rio fronteiriço.

As relações entre Brasil e Paraguai também ameaçam ficar tensas, por culpa dos preços e da distribuição da energia da Hidrelétrica de Itaipu.

Chile e Bolívia não mantêm relações diplomáticas desde 1978 por divergências sobre fronteiras e limites que também envolvem o Peru e se arrastam desde o século XIX.

Venezuela e Guiana estão há mais de 100 anos em meio a grandes divergências limítrofes por Esequibo, província rica em minerais e que abrange cerca de 160 mil quilômetros quadrados - quase o tamanho do Uruguai - e cuja soberania é reivindicada por Caracas.

Além desses problemas pontuais, existem outros de ordem estrutural como obstáculos a uma integração regional.

O ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja foi nomeado secretário-executivo da Unasul há um ano.

Borja criticou a "sopa de letrinhas" que surge como conseqüência das dezenas de mecanismos de integração existentes na América do Sul, e mantém a tese de que o Mercosul e a Comunidade Andina (CAN) devem fundir-se rapidamente na Unasul, e ainda que nesse processo devem desaparecer outros órgãos multilaterais.

Para o ex-presidente equatoriano, é "absurdo" e "incoerente" o fato de na América do Sul haver, por exemplo, três Parlamentos - o Andino, o do Mercosul e o Amazônico -, sem contar ainda com o Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

"É uma distração de esforços e recursos", comentou Borja, que disse que os governantes da região se opõem a uma rápida fusão entre o Mercosul e a CAN.

Por ora, mais que desenredar o emaranhado da integração, a Unasul parece mais inclinada a colaborar com ela.

Na cúpula desta sexta em Brasília serão anunciados dois novos mecanismos: o Conselho Sul-Americano de Defesa e outro para a área energética, cujas estruturas ainda não foram definidas por completo e que terão o objetivo de elaborar estratégias regionais em seus setores.

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