Em Brasília, chefe da OMC vê cena econômica favorável para Doha

Brasília, 17 abr (EFE).- O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, afirmou hoje em Brasília que, apesar de ainda não haver clima político para retomar as negociações da Rodada de Doha, a conjuntura econômica é propícia, pela necessidade dos países ricos de apostar no comércio para voltar a crescer.

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"O consumo interno (dos países desenvolvidos) não é o motor para sair da crise. Não há grande consumo interno. O que resta é o comércio internacional, que é o motor mais fácil para sair da crise", afirmou Lamy em entrevista concedida após se reunir com o chanceler Celso Amorim.

O diretor da OMC disse que os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, Japão e os da União Europeia (UE), fizeram grandes esforços financeiros e esgotaram as possibilidades de impulsionar o mercado interno para fazer frente à crise. Por isso, para ele, agora precisam olhar o mercado externo para voltar a crescer.

"Houve muito esforço (de financiamento público) para superar a crise. Esses países praticamente esgotaram seus recursos e a margem de manobra financeira. Os mercados internos estão saturados. Resta a eles só o comércio internacional", assegurou.

"Alguns países usaram todo seu poder financeiro para sair da crise e espero que a necessidade de garantir os resultados já obtidos possa gerar o ambiente político que necessitamos para as negociações", afirmou.

Para ele, talvez esse raciocínio é o que falte para que as conversas para concluir a Rodada de Doha possam ser reiniciadas, já que, por enquanto, o ambiente político não é favorável às negociações.

"O ambiente político atual não é propício para concessões.

Tecnicamente é possível (finalizar as negociações), mas é necessário um esforço político dos grandes atores internacionais, que atualmente têm problemas internos", disse.

"O ambiente político que necessitamos não está pronto, mas é tecnicamente possível concluir a rodada já que todos os países desejam isso", afirmou.

Já Amorim, na mesma entrevista coletiva, assegurou que para o reinício das negociações é necessário que os EUA retirem reivindicações "fora de propósito" para que as economias em desenvolvimento abram seus mercados industriais.

"O que os EUA pedem é quase outra rodada. Um de seus pedidos significaria reduzir um coeficiente de redução tarifária que já tínhamos aceitado para produtos industriais de 20% a 14%", lembrou o ministro.

"O que (os países em desenvolvimento) aceitamos reduzir em 2008 foi aceito pela União Europeia, pelo Japão, por todos. O único que quer uma maior abertura para as manufaturas é os EUA", disse.

Amorim frisou igualmente que a decisão do Brasil de impor aos EUA sanções comerciais autorizadas pela OMC pode fazer com que Washington volte a colocar a Rodada de Doha entre as prioridades de sua agenda externa.

O Governo brasileiro anunciou no mês passado uma lista de produtos que terão que pagar taxas adicionais de tarifas, até o limite de US$ 830 milhões anuais autorizados pela OMC, para que entrem no país se procedentes dos EUA.

Tais sanções foram autorizadas perante a recusa dos EUA de eliminar os subsídios à produção e à exportação ao algodão.

"Se os EUA tivessem ajudado a concluir a Rodada de Doha em julho de 2008 não teriam agora este problema com o algodão e estariam se beneficiando de uma abertura comercial maior para seus produtos", disse Amorim. EFE cm/rr

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