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Em Belém, Chávez, Correa, Lugo e Morales defendem socialismo do século XXI

BELÉM - Os presidentes de Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela pediu hoje, no Fórum Social Mundial, que se lute pelo socialismo do século XXI, ao qual se referiram como única alternativa ao capitalismo que destrói a humanidade.

EFE |

"Devemos definir e desenhar os contornos do nosso socialismo, porque não há uma terceira via", declarou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aos cerca de mil líderes de movimentos sociais que participam do fórum na cidade de Belém.

Chávez, junto com o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa e o paraguaio Fernando Lugo, participou do "Diálogo sobre a Integração Popular de Nossa América", organizado pelo Movimento Sem-terra (MST) do Brasil e por outras organizações do Fórum Social realizado em Belém.

O chefe de Estado da Venezuela lembrou que foi durante sua participação no Fórum Social de 2003, realizado na cidade de Porto Alegre, que seu país "anunciou ao mundo que sua revolução tomava o rumo do socialismo", o qual, assegurou hoje, "não abandonará jamais".

Chávez também lembrou que foi o primeiro dos presidentes da chamada nova esquerda latino-americana a chegar ao poder - em fevereiro de 1999, e afirmou que, com esse movimento, a América Latina começou a andar rumo à sua própria "utopia".

Já Correa declarou que "depois do vendaval neoliberal que atingiu a América Latina" e "da prepotência do Consenso de Washington", a região começou a se decidir pelo "socialismo e a mudança".

O governante equatoriano também pediu o resgate do papel do Estado como gestor da economia e a dignificação do trabalho. Além disso, reiterou sua proposta para a criação de um fundo de compensações para os países que decidirem preservar suas florestas.

Segundo Correa, a proposta do "socialismo do século XXI"é "viver bem, não viver melhor". Esse sistema, acrescentou, "não acredita em dogmas nem em fundamentalismos", está "em constante autocrítica e evolução" e "rejeita a violência", porque "hoje as armas são os votos, e os soldados são os cidadãos".

Morales, por sua vez, pediu "uma revolução mundial" que acabe com o "intervencionismo americano" e afirmou que, "antes, os povos pegavam em armas contra o império, mas, agora, o império pega em armas contra os povos", em conspirações que buscam a derrubada de Governos escolhidos democraticamente.

Aclamado pelos líderes dos movimentos sociais, o chefe de Estado boliviano comemorou a aprovação da nova Constituição em seu país no referendo realizado no último domingo.

"O povo boliviano se impôs mais uma vez a esses grupos que tentam detê-lo", disse Morales, que, no entanto, alertou para o surgimento de "novos inimigos em grupos da Igreja Católica", aos quais, usando o lema do fórum, assegurou que "outra fé e outra religião também são possíveis".

O ex-bispo e atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que riu complacente do comentário do colega boliviano, disse que todos os governantes progressistas que surgiram na região "beberam das ideias do Fórum Social e podem dizer que outro mundo não só é possível, como está sendo real".

Em meio a contidos ataques contra os Estados Unidos, Chávez e Lugo foram os únicos que fizeram referência direta ao novo presidente desse país, Barack Obama, mas para pedir-lhe que devolva a Cuba o território que é ocupado pela base naval americana de Guantánamo.

"Guantánamo é cubana e deve voltar a Cuba, a suas raízes", disse Lugo.

Chávez, por sua vez, avaliou como "muito positiva" a decisão de Obama de fechar a prisão aberta pelo Governo de George W. Bush, mas disse que "agora ele tem que devolver o território a Cuba".

O encontro entre os quatro presidentes começou em um clima de festa. O primeiro a chegar foi Correa, que tomou um microfone para unir-se a um cantor que entoava velhas canções dos cubanos Silvio Rodríguez, Pablo Milanés e Carlos Puebla.

Lugo uniu-se ao coro assim que chegou e, com Correa, recebeu Chávez ao som de um bolero, que os três concluíram juntos.

Após o encontro com os líderes dos movimentos sociais, os quatro chefes de Estado tinham um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem mais tarde participariam de uma conferência sobre o impacto da crise financeira internacional na América Latina.

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