Em artigo, brasileira falou sobre risco de viagem

Iara Lee, que estava na frota de ajuda humanitária atacada por Israel, é envolvida em diferentes iniciativas sociais

iG São Paulo |

A cineasta brasileira Iara Lee, que estava na frota de ajuda humanitária a Gaza atacada pelo Exército israelense nesta sexta-feira, falou sobre o risco da missão em um artigo publicado no site americano “The Hills” na última terça-feira (25).

“É claro que estamos preocupados com a nossa segurança”, afirmou Iara Lee. “Mesmo assim, estou me juntando a esse esforço porque acredito que ações não-violentas que chamam atenção para o bloqueio (em Gaza) são vitais para informar as pessoas sobre o que está acontecendo. Simplesmente não há uma justificativa decente para que uma missão humanitária seja impedida de alcançar pessoas em um momento de crise.”

No artigo, Lee afirma que o objetivo do comboio era “entregar comida, água, remédios e materiais de construção para as comunidades de Gaza”. Ela critica o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por não pressionar Israel pelo fim do bloqueio aos palestinos, e pede que a população cobre uma atitude dos políticos americanos.

“Deixei de lado minhas obrigações diárias para me juntar a essa missão humanitária, mas reconheço que nem todos podem fazer isso”, escreveu Iara Lee. "Felizmente, nem todo mundo precisa embarcar em um navio para contribuir. Podemos apenas exigir de nossos governantes que tomem um passo adiante e protestem contra a vergonhosa violação aos Direitos Humanos por parte de Israel".

Cineasta e ativista

Nascida no Brasil e descendente de coreanos, Iara estudou Cinema e Filosofia na Universidade de Nova York. No anos 1980, foi curadora da da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ao lado do então marido, Leon Cakoff.

Procurado pela reportagem do iG , Cakoff disse que ainda não conseguiu ter notícias da ex-mulher. "Tentei ligar para a casa dela em Nova York, onde ela vive há mais de vinte anos, e nada", afirmou.

A última edição da Mostra, de 2009, exibiu um dos filmes de Iara Lee, "Batalha pelo Xingú". Seu primeiro longa-metragem, "Prazeres Sintéticos", foi exibido no festival de 2005. Antes disso, a cineasta já havia dirigido os curta-metragens "Prufrock" (1991) "Neighbors" (1992) e "An Autumn Wind" (1993).

Desde 1986 Iara Lee é casada com o americano George Gun, com quem criou a Fundação Caipirinha, organização que tem a missão de "conduzir e apoiar atividades educacionais relacionadas a Direitos Humanos, Direito internacional, política externa americana, imprensa independente, arte e cultura".

A fundação é ligada à rede de ativismo social Cultures of Resistance (culturas de resistência, em tradução livre), para a qual Iara Lee dirigiu um filme do mesmo nome, lançado em 2010.

A brasileira passou dois anos viajando por 25 países, como Mianmar, Líbano, Irã e Brasil, para retratar histórias de artistas que “usam a arte e a criatividade como munição na batalha por paz e justiça”.

Veja o trailer de "Cultures of Resistance", dirigido por Iara Lee:

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