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Em aniversário da Revolução Islâmica, Ahmadinejad diz que Irã se tornou nação nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi aclamado na emblemática Praça Azadi, onde pronunciou um discurso incendiário e de caráter nacionalista por ocasião dos 31 anos da revolução que tirou do poder o último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi.

iG São Paulo |

Além de falar dos avanços "científicos e aeroespaciais" de seu país, o iraniano acusou o Ocidente de tentar impedir o desenvolvimento tecnológico da República Islâmica com desculpas como "as que relacionam ao programa nuclear".


Ahmadinejad discursa em Teerã / AP

"Nos últimos anos, tentaram impedir que chegássemos à tecnologia nuclear e por isso inventaram desculpas. Apesar disso, apesar das pressões, o Irã se tornou uma nação nuclear", afirmou o presidente.

As palavras de Ahmadinejad foram respondidas com gritos de "Morte aos Estados Unidos" e "Morte Israel". A multidão presente também agitava bandeiras do Irã e retratos do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, e do atual líder da revolução, o aiatolá Ali Khamenei.

Em cima de uma tribuna na qual era possível ler "a quarta década da República Islâmica será a do desenvolvimento e a da justiça", Ahmadinejad ressaltou que o capitalismo fracassou e encontra-se em franco retrocesso, ao passo que "o outro polo do poder, o socialismo, desapareceu".

"Anuncio aqui que terminaram os tempos da arrogância e das superpotências", declarou Ahmadinejad entre gritos de "Alahu Akbar (Deus é grande).

Em outro momento do discurso, Ahmadinejad negou que seu país esteja enfrentado uma crise econômica. Segundo o presidente, com as novas medidas econômicas tomadas por seu governo, "o Irã alcançará a 12ª posição entre as economias mundiais nos próximos cinco anos".


Ahmadinejad discursa nesta quinta-feira em Teerã / Reuters

Críticas a Obama

Ahmadinejad acusou o chefe de Estado americano, Barack Obama, de seguir as mesmas políticas de seu antecessor, George W. Bush, e ressaltou que a era do capitalismo e do domínio das grandes potências chegou ao fim. "Há uma opinião que afirma que Obama pôs uma máscara, mas, na verdade, segue as mesmas políticas que Bush. Nós não desejaríamos que isso fosse verdade", afirmou.

Ahmadinejad ainda acusou Obama de trabalhar a favor dos interesses de Israel e cobrou dele as "verdadeiras mudanças de que falou". "Não queremos que (Obama) seja controlado por um punhado de sionistas sem raízes. Achamos que ele está atuando contra os interesses dos EUA e a favor dos interesses dos sionistas", declarou o presidente iraniano.

Manifestações em Teerã

Dezenas de milhares de iranianos se reuniram na manhã desta quinta-feira na grande praça Azadi de Teerã para celebrar o 31º aniversário da revolução islâmica, em meio a um forte esquema de segurança.


Ahmadinejad participa de comemoração / AP

As autoridades, que temiam manifestações de protesto da oposição a Ahmadinejad, proibiram a presença da imprensa estrangeira no evento, limitando as atividades dos correspondentes a uma tribuna oficial na praça Azadi para ouvir o discurso do chefe de Estado.

A oposição iraniana, por sua vez, anunciou que dois de seus líderes, Mohammad Khatami e Mehdi Karubi, foram agredidos em seus veículos quando se dirigiam a protestos convocados paralelamente às comemorações do aniversário da revolução islâmica, mas escaparam ilesos.

A multidão pró-governo chegou ao local das manifestações com bandeiras do país e cartazes com frases já conhecidas como "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos", segundo as imagens exibidas pela televisão estatal.


Milhares de simpatizantes do governo foram às ruas nesta quinta-feira / AP

Ataques contra oposição

Por outro lado, os principais líderes da oposição, que rejeitam o resultado das eleições presidenciais de 12 de junho, ignoraram as advertências das autoridades e convocaram seus simpatizantes para fazer ouvir sua voz.

Karubi, ex-presidente reformista do Parlamento, não foi atingido durante o ataque a seu automóvel, que aconteceu em meio a confrontos entre partidários da oposição, manifestantes pró-governo e a polícia.

Mas vários seguranças ficaram gravemente feridos, segundo o filho de Karubi, Hossein.

O carro de Khatami, ex-presidente reformista, também foi atacado quando se dirigia à manifestação, mas ele também escapou ileso, segundo o site da oposição Rahesabz.

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