Em acordo com Hisbolá, Israel talvez troque presos por soldados mortos

Ana Cárdenes Jerusalém, 29 jun (EFE).- O Governo israelense aprovou hoje uma troca de prisioneiros com a milícia xiita e libanesa do Hisbolá, por meio da qual presos libaneses serão soltos em troca dos soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser ou de seus corpos, já que, para Israel, ambos já estariam mortos.

EFE |

"Os soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser serão devolvidos a Israel e também nos será entregue um relatório sobre o sumiço do soldado Ron Arad e os restos dos militares mortos" no conflito travado com o Hisbolá em 2006, disse à Agência Efe David Baker, assessor de imprensa do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

Baker acrescentou que, em troca, "o Estado de Israel deixará em liberdade Samir Kuntar e outros quatro combatentes ilegais libaneses".

Além disso, também serão devolvidos ao Líbano "dezenas de corpos de terroristas e de pessoas que cruzaram ilegalmente a fronteira, inclusive de oito membros do Hisbolá", disse o assessor.

Israel também se comprometeu a entregar informações às Nações Unidas sobre a situação de três diplomatas iranianos e um motorista de mesma nacionalidade que desapareceram no norte do Líbano em 1982.

Segundo um comunicado divulgado hoje pelo escritório de Olmert, o acordo, intermediado pela Alemanha, também inclui a libertação por Israel de um número indeterminado de presos palestinos, a serem escolhidos "exclusivamente pelo Estado de Israel".

Na nota, o Executivo "reitera e confirma sua obrigação de fazer todo o possível para obter informações confiáveis e sólidas que joguem luz sobre a situação do piloto da Força Aérea israelense Ron Arad", desaparecido há 22 anos quando seu avião foi derrubado enquanto sobrevoava o Líbano.

Embora fontes oficiais não confirmem a data na qual será efetuada a troca, a imprensa israelense informou que a operação será dividida em três fases: as duas primeiras acontecerão dentro de dez a 14 dias e a terceira, um mês depois.

"Na primeira fase, serão trocadas informações, e, na segunda, os prisioneiros serão trocados. A terceira fase ocorrerá um mês depois e, nela, os presos palestinos serão colocados em liberdade", afirma a edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth".

A troca de prisioneiros foi aprovada por 22 a votos a favor e três contra durante uma longa reunião entre os ministros israelenses, a despeito das advertências do Exército sobre o incentivo a capturas de mais soldados que o acordo poderia representar para os terroristas.

A decisão foi tomada após um intenso debate social, em que o Governo foi intensamente criticado por dar muito em troca da devolução de soldados falecidos, e, ao mesmo tempo, era cobrado para fazer todo o possível para trazer de volta os militares capturados ou mortos em combate.

Na tradição judaica, o resgate de soldados é considerado uma obrigação moral. Mas, além disso, em Israel, onde quase toda a população tem que servir por cerca de três anos no Exército e ficar na reserva até os 40, a responsabilidade do Estado em relação aos militares é uma reivindicação social da qual o Governo não pode se esquivar.

Caso tudo transcorra normalmente, Kuntar, o prisioneiro da milícia do Hisbolá responsável pela morte de três membros de uma mesma família e de um policial na cidade israelense de Nahariya em 1979, será solto em menos de duas semanas.

As previsões são de que a libertação do miliciano será festejada no Líbano como uma nova vitória do Hisbolá. Hoje, os parentes do prisioneiro declararam à televisão libanesa que seu retorno será comemorado em grande estilo. EFE aca/bm/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG