Em ação histórica, Governo dos EUA assume controle de gigantes das hipotecas

Washington, 7 set (EFE).- O Governo americano anunciou hoje que está assumindo o controle das duas maiores companhias hipotecárias do país, Fannie Mae e Freddie Mac, em uma tentativa de resgatar o setor da crise em que se encontra.

EFE |

O Governo tomará o controle de ambas as empresas, que juntas tem mais da metade da dívida hipotecária do país, na maior intervenção de resgate financeiro da história dos Estados Unidos.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, informou que estas duas companhias passarão a ser dirigidas temporariamente pela Agência Federal de Financiamento Imobiliário (FHFA, em inglês), que vai tramitar a dívida financeira das duas.

Paulson compareceu junto com o diretor da agência James Lockhart, que explicou que essa injeção de dinheiro, que pode chegar a US$ 100 bilhões, será feita gradualmente.

A agência terá poder para reestruturar e reativar ambas as companhias. Essa reestruturação incluiria, a princípio, a substituição dos dois principais responsáveis das duas companhias, Daniel Mudd, da Fannie Mae e Richard Syron, da Freddie Mac.

O anúncio foi feito com o sinal verde do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, depois de intensas reuniões durante todo o fim de semana entre membros do Tesouro e diretores das empresas.

O Governo e o Tesouro decidiram atuar perante a incerteza de que ambas as empresas teriam liquidez suficiente para assumir tantas hipotecas.

As ações das duas empresas caíram mais de 90% no último ano e tiveram perdas acumuladas de US$ 14 bilhões.

"A Fannie Mae e a Freddie Mac estão tão interrelacionadas com o sistema financeiro que o fracasso de qualquer delas poderia causar grandes transtornos em nossos mercados financeiros e no mundo todo", disse Paulson.

As duas companhias financiaram 70% das hipotecas nos últimos meses e uma redução de suas atividades supõe um aumento das taxas de juros, que agravaria ainda mais a profunda crise imobiliária.

O Governo também está tentado impedir que os problemas da Fannie Mae e da Freddie Mac provoquem um impacto negativo entre os bancos que possuem reservas de bônus e ações preferenciais nestas companhias.

Os grandes bancos dos EUA e alguns Governos estrangeiros estão entre os investidores ameaçados.

"Nossa economia e nossos mercados só se recuperarão quando for corrigida a situação do mercado hipotecário", disse Paulson.

Se o plano funcionasse, poderia frear a incerteza no mercado em relação à Freddie Mac e à Fannie Mae e facilitaria as empresas em ter acesso a um financiamento com taxas mais baratas.

Isso, por sua vez, poderia ter um efeito no mercado global das hipotecas, a redução nas taxas de juros e seria uma ajuda para tentar recuperar o mercado hipotecário.

O presidente do Fed declarou seu apoio à decisão tomada pelo Departamento do Tesouro.

Em comunicado, Bernanke afirmou que apóia "firmemente" as medidas tomadas "para assegurar a solidez financeira dos dois organismos" e considerou que a decisão ajudará "a reforçar o mercado imobiliário americano e a promover a estabilidade dos mercados financeiros".

Perante rumores, gerados no fim de semana, de que o Tesouro poderia intervir nas empresas, as campanhas dos candidatos à Presidência americana expressaram seu apoio à decisão do Governo.

O democrata Barack Obama assinalou que aprova a ação do Governo caso seja boa para a economia, enquanto a candidata republicana à Vice-Presidência, Sarah Palin, se comprometeu há tornar as empresas menores e mais eficazes.

O Governo americano criou a Fannie Mae em 1938, como parte do New Deal, que tirou os EUA da grande depressão, e foi privatizada em 1960.

Pouco depois, em 1970, criou a Fredie Mac com capital privado para facilitar a aquisição de casas e o aluguel de imóveis. EFE elv/rr

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