Em 5 anos, papa abriu porta a anglicanos e valorizou diálogo

Cidade do Vaticano, 17 abr (EFE).- O papa Bento XVI, de 83 anos, completa nesta segunda-feira cinco anos de Pontificado, tempo em que abriu as portas para tradicionalistas anglicanos, suspendeu excomunhões e iniciou uma negociação com os seguidores de Lefebvre, construindo novos laços com as igrejas ortodoxas.

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Nessa meia década, o papa Ratzinger deu um passo de grande repercussão ao abrir as portas da Igreja Católica aos tradicionalistas anglicanos contrários a algumas medidas liberais da Comunhão Anglicana, como a ordenação de mulheres e de homossexuais como bispos.

Para isso, aprovou uma norma que prevê a ordenação de clérigos anglicanos já casados como sacerdotes católicos, medida que não pressupõe mudança alguma nas normas da Igreja Católica, que mantém o celibato sacerdotal.

Bento XVI suspendeu as excomunhões e abriu negociações para que voltem à congregação. Tudo em prol da unidade dos cristãos e para fechar o mais rápido possível a ferida aberta na Igreja Católica com o cisma de 1988, causado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre ao ordenar quatro bispos sem a permissão de João Paulo II.

Com o mesmo objetivo, o papa também tornou opcional a missa em latim, o que causou mal-estar e divisão em alguns setores da Igreja, que acusam o pontífice de ter "esvaziado de conteúdo" do Concílio Vaticano II, que encaminhou a Igreja Católica para o terceiro milênio.

Para se readmiti-los, Bento XVI exige que esses aceitem as mudanças propostas. As negociações prosseguem atualmente e não se sabe ainda até quando se prolongarão e se darão fruto, por conta das posições dos tradicionalistas.

Nesses anos, também foram criados novos laços com as igrejas ortodoxas e houve várias reuniões com o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I.

Porém, apesar de ter melhorado a relação com a Igreja Ortodoxa Russa, ainda é difícil uma visita do papa a Moscou, o que seria um acontecimento histórico.

Os ortodoxos russos seguem olhando com receio para Roma e acusam o Vaticano de se expandir para territórios que tradicionalmente estiveram sob seu controle.

O Vaticano aprovou um documento que assinala que a Igreja Católica "não abre mão de sua convicção de ser a única e verdadeira" Igreja de Cristo, embora reconheça que nas ortodoxas e nas "comunidades cristãs" surgidas da Reforma - que não considera igrejas - há elementos de salvação.

Para tratar do celibato e da readmissão ao sacerdócio solicitada pelos padres casados, Bento XVI chamou os cardeais da Cúria ao Vaticano em novembro de 2006.

Após dois dias de discussões, foi reafirmado o "valor" do celibato e fecharam de novo as portas para a readmissão de padres de rito latino casados ao Ministério sacerdotal.

Pouco após chegar ao Pontificado, Bento XVI começou com a limpeza do que foi chamado de "sujeira" na época, começando com o fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Marcial Maciel, a quem castigou em 19 de maio de 2006 pelos abusos sexuais cometidos durante décadas a seminaristas menores.

A decisão do Bispo de Roma caiu como uma marretada na congregação. A data ficará marcada na biografia de Maciel como o dia em que o papa tirou sua confiança e lhe impôs um severo castigo.

Os Legionários viram como seu fundador, que tinha o afeto de João Paulo II e de inúmeros cardeais, caía em desgraça. Mas não seria a última coisa que se saberia da vida dupla do padre, que teve, além disso, vários filhos com várias mulheres.

Com esse castigo, Bento XVI traçou a linha de 'tolerância zero' para casos similares, o que representou uma grande virada no que vinha sendo feito até então, quando se impunha o silêncio ou o simples afastamento, inclusive nos casos de abuso confirmado.

A Legião de Cristo foi submetida a uma inspeção e não está descartado que o papa anuncie a nomeação de um comissário para dirigi-la durante um tempo, até sua renovação. EFE JL/dr/rr

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