Em 2009, Brasil consome 1,9 ton de anfetamina proibida no exterior

Rio de Janeiro, 30 mar (EFE).- Os brasileiros consumiram no ano passado 1,9 tonelada de sibutramina, um medicamento receitado contra a obesidade e cuja venda foi suspensa ou restringida em diversos países, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

O alto consumo desse medicamento que inibe o apetite no Brasil foi alertado hoje pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que divulgou uma norma para restringir sua venda e limitá-la a pacientes que apresentem uma receita médica especial.

A Agência Europeia Reguladora de Remédios (EMEA) recomendou este ano a suspensão da comercialização do medicamento depois de um estudo indicar que ele pode provocar problemas cardiovasculares.

A recomendação foi adotada por diversos países europeus, enquanto outros restringiram a venda. A comercialização também é controlada nos Estados Unidos.

A Anvisa divulgou hoje os primeiros resultados do chamado Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC, uma ferramenta que permite medir eletronicamente a venda de remédios controlados no país). Ela também alertou sobre o elevado consumo de outros psicotrópicos anorexígenos no país.

Segundo a Agência, além da 1,9 tonelada de subramina, os brasileiros consumiram no ano passado 3 toneladas de anfepramona, 1 tonelada de femproporex e 2,3 quilos de mazindol.

A lista de produtos controlados também alerta sobre o elevado consumo de cloridrato de fluoxetina (3,5 toneladas) e de cloridrato de metilfenidato (175 quilos), que são respectivamente um antidepressivo e um estimulante receitados para tratar o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

A Anvisa alertou que o primeiro aparentemente está sendo desviado para outras finalidades não comprovadas cientificamente e o segundo supostamente é usado para emagrecer.

O Brasil é considerado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes da ONU como um dos maiores consumidores mundiais de anfetaminas destinadas a tratamentos de emagrecimento.

O presidente da Anvisa, Dirceu Zorro de Mello, reconheceu que o consumo de remédios controlados com segurança é maior que o alertado hoje pela Agência, inclusive porque apenas 62% das farmácias do país estão vinculadas ao SNGPC.

"Hoje pelo menos temos controle sobre essas vendas e podemos intervir de forma eficiente para corrigir as distorções. Há algum tempo não sabíamos nada", complementou Mello. EFE cm/sa

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