Em 1980, papa apoiou transferência de suspeito por abuso sexual

BERLIM (Reuters) - O papa Bento 16 se envolveu na decisão de transferir para sua diocese um padre acusado de cometer abuso sexual contra menores, que seria então submetido a terapia, disse na sexta-feira a antiga arquidiocese dele, no sul da Alemanha, referindo-se a um caso de 1980. O pedido à arquidiocese de Munique e Freising partiu da diocese de Essen. O padre em questão ainda trabalha no sul da Alemanha, segundo a arquidiocese de Munique.

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"O então arcebispo participou dessa discussão", disse a arquidiocese. Joseph Ratzinger, nome de batismo de Bento 16, comandou essa arquidiocese entre 1977 e 81.

Pelo acordo da época, o padre em questão deveria passar por terapia em uma casa paroquial. "Com base nos registros arquivados, o grupo de trabalho do ordinariato tem de assumir que se sabia na época que esta terapia deveria provavelmente ser realizada devido a relações sexuais com crianças", disse a arquidiocese em nota.

Mas, em vez de enviar o padre à terapia, conforme previsto, o então vigário-geral de Munique, Gerhard Gruber, o mandou sem restrições para uma paróquia da cidade. "Gruber assume total responsabilidade pelas decisões erradas", disse a nota.

De acordo com o texto, nada indica que Ratzinger tenha se envolvido na decisão de não submeter o padre à terapia. Nenhuma queixa contra ele surgiu entre o começo de 1980, época da transferência, e agosto de 1982. Depois de acusações posteriores de abuso sexual, ele foi condenado a 18 meses de prisão, com direito a sursis, e a uma multa, em 1986. Desde então, não voltou a receber novas acusações.

O padre posteriormente trabalhou num asilo, e depois como administrador de paróquia. Desde 2008, participa de atividades da Igreja ligadas ao turismo, e foi proibido de atuar junto a crianças, segundo a arquidiocese.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse que a nota "explica os fatos pelos quais o vigário-geral da diocese na época, Gerhard Gruber, assume total responsabilidade".

O chefe da Igreja Católica alemã pediu perdão às vítimas de abusos clericais na sexta-feira e se reuniu com o papa para estimulá-lo a adotar novas medidas duras contra esse problema.

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