Em 1ª entrevista, Obama deve falar de medidas estudadas para combater a crise

Em respostas à urgência da crise econômica, e também à votação histórica que o elegeu, Barack Obama deve anunciar nesta sexta-feira, em sua primeira entrevista coletiva de imprensa como presidente eleito dos EUA, algumas medidas estudadas por seu partido para conter a crise econômica que atinge o país.

Redação com agências internacionais |

  • Obama discute crise com líderes mundiais antes de coletiva
  • Obama testerá propostas em reunião com assessores econômicos
  • Lula pede a Obama medidas imediatas para conter crise global

    Acordo Ortográfico

    Contrariando as expectativas, o porta-voz da equipe de transição de Obama, Stéphanie Cutter, disse nesta sexta-feira que o presidente eleito não anunciará nenhum nome de futuros integrantes de seu governo na coletiva desta tarde. Ontem, foi divulgado o nome do congressista por Illinois, Rahm Emanuel, como seu chefe de gabinete.

    Segundo a imprensa norte-americana, estão em estudo pelo democrata propostas sobre um órgão que fiscalizará os riscos das aplicações feitas pelas instituições financeiras, novas leis para o setor de cartões de crédito, a fusão de órgãos responsáveis pela fiscalização de bancos e poupanças e o controle dos pacotes de incentivo para altos executivos. 

    Antes da coletiva, marcada para às 17h30 (horário de Brasília), o senador participa de uma reunião sobre economia. Estarão com ele os ex-secretários do Tesouro Larry Summers e Robert Rubin, o ex-presidente do Federal Reserve Paul Volcker e o presidente do Google Inc., Eric Schmidt. Os quatro fazem parte da equipe de 17 pessoas que o presidente eleito nomeou, na quarta-feira, para formar o conselho consultivo que o ajudará a escolher seu gabinete e também na implementação das propostas de campanha.

    Mercado tem pressa

    Mergulhado numa crise econômica iniciada pela falência do sistema hipotecário de alto risco, conhecido como subprime, desde o início de 2008, o mercado norte-americano tem pressa em saber quem será a pessoa que irá gerenciar o programa de resgate econômico das instituições afetadas pela crise, no valor de U$ 700 bilhões.

    AP
    AP
    Obama, em Chigaco, com agentes da CIA

    Entre os nomes mais cotados para ocupar o cargo de secretário do Tesouro estão o de Larry Summers, secretário do Tesouro de Clinton entre 1999 e 2001, Paul Volcker, ex-presidente do Banco Central, ambos integrantes da equipe de transição, e Timothy Geithnner, atual presidente do Banco do Estado de Nova York são os mais cotados para o cargo.    

    O nome mais provável, até o momento, é o de Summers. Caso seja o escolhido, ele não será o primeiro membro da equipe do democrata Bill Clinton (1993-2001) a fazer parte do governo Obama. Nesta quinta-feira, o deputado Rahm Emanuel, ex-conselheiro de Clinton, foi oficializado como Chefe de Gabinete de Barack Obama. John Podesta, último chefe de gabinete de Clinton, Willian Daley, ex-secretário do Comércio, Federico Pena, ex-secretário de Transporte e Energia, e Susan Rice, que integrou o Conselho de Segurança Nacional no governo Clinton também estão na equipe de Obama.   


    Política econômica

    Há cerca de um ano, quando a crise econômica começava a ameaçar o País, o senador Obama discursou na bolsa de valores que concentra as ações de alta tecnologia, a Nasdaq, em defesa de uma maior regulação do mercado financeiro. Nesta sexta-feira, especula-se que o presidente eleito pode anunciar a criação de um órgão para regular o risco dos investimentos das instituições financeiras norte-americanas. 

    O órgão teria padrões semelhantes à Comissão de Valores Mobiliários, fiscalizadora do mercado de ações. No futuro, o sistema regulador seria consolidado com a fusão dos dois órgãos. Além das instituições financeiras, bancos, companhias de seguro, corretoras que atuam como intermediárias na compra e venda e hipotecas passariam a ser fiscalizadas pelo novo órgão.

    Mais uma fusão também estaria em estudo pelo novo presidente, a da Escritório do Controlador da Moeda, responsável pela fiscalização dos bancos, com o Escritório de Supervisão da Poupança.

    Outras possíveis medidas do pacote econômico de Obama seriam a implementação de uma nova legislação para os cartões de crédito e regras de dêem maior poder veto para acionistas sobre pacote de altos executivos e empresas financeiras.        

    Erros passados

    AP

    Obama fala ao telefone com Olmert
    Para Warren Christopher, secretário de Estado de Clinton em 1993 e 1997 e diretor da equipe de transição do democrata em 2002, Obama deveria anunciar os nomes de seu equipe de forma rápida. Segundo ele, o presidente eleito evitaria erros como o cometido por Clinton, que demorou para nomear secretários e criou um clima de incertezas no País.

    O ex-secretário diz que, para acalmar os ânimos do mercado, o presidente deve chegar ao dia da posse já com os 15 membros de seu gabinete e os principais cargos da Casa Branca ocupados.

    Cooperação

    O primeiro desafio de Obama será manter o equilíbrio da transição, já que nestes pouco mais de dois meses antes da posse terá de trabalhar em conjunto com o republicano George Bush. Obama foi eleito num ambiente de grande desaprovação do atual governo e com sua plataforma de campanha baseada na mudança, mas, durante o período de transição, ainda não será o presidente. 

    Leia também:

    • Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG