Eluana segue caminho em direção à morte e Berlusconi persiste em impedi-la

Roma, 7 fev (EFE).- A italiana Eluana Englaro, em estado vegetativo desde 1992, continua em seu caminho em direção à morte depois de os médicos suspenderem hoje totalmente sua alimentação e hidratação artificial, enquanto o Governo de Silvio Berlusconi persiste em tentar impedir a eutanásia com a aprovação de uma lei.

EFE |

A equipe médica que se apresentou como voluntária para auxiliar na morte de Eluana, de 38 anos, como pediu sua família, decidiu hoje suspender totalmente a alimentação e hidratação artificial que ela recebe através de uma sonda.

O protocolo médico consistirá agora em administrar a Eluana apenas sedativos e antiepilépticos, enquanto esperam por sua morte por desidratação que, segundo os especialistas, pode acontecer em cerca de 15 dias.

A clínica La Quiete, em Udine, onde Eulana está internada, e os advogados da família não comentaram esta notícia e preferiram o silêncio.

Com a suspensão total, os médicos teriam antecipado o tempo previsto no protocolo, já que em um primeiro momento se tinha anunciado uma retirada progressiva da alimentação.

Isto acontece um dia depois de o Executivo anunciar a apresentação de um projeto de lei para deter a morte de Eluana que será apresentado amanhã no Parlamento com o objetivo de ser aprovado no tempo recorde de dois ou três dias.

A opção do projeto de lei foi lançada depois de o presidente da República, Giorgio Napolitano, se negar a assinar um decreto urgente com o qual o Governo de Berlusconi pretendia deter a eutanásia.

O caso criou uma contraposição entre as duas principais instituições do país, o Governo e o presidente da República, pois o Executivo de Berlusconi aprovou o decreto urgente apesar de Napolitano ter advertido que não o assinaria por ser "inconstitucional".

"Esperava que a Presidência da República superasse os temas jurídicos (...) e considerasse que o decreto tinha sido aprovado para salvar uma vida humana", afirmou hoje Berlusconi.

O premiê reiterou que tentará aprovar o mais rápido possível a lei - que especificamente proíbe a retirada da alimentação e hidratação de qualquer paciente - para salvar a vida de Eluana.

O presidente do Senado, Renato Schifani, convocou para a segunda-feira às 16h (de Brasília) os porta-vozes dos partidos italianos representados na Câmara Alta para um primeiro exame da lei.

Berlusconi assegurou que, segundo seus dados, em 50% dos casos pessoas em estado vegetativo despertam do coma, e acusou de "crueldade" os médicos de Eluana.

"Francamente, não entendo como profissionais que trabalham para salvar vidas humanas possam se comprometer a realizar uma ação deste tipo, que leva à morte com crueldade, ao privar o organismo de comida e água", disse.

O presidente do Governo, que até ontem não tinha se expressado sobre o tema, assegurou que "não desligaria os aparelhos" se um de seus filhos se encontrasse na mesma situação de Eluana.

Inspetores do Ministério da Saúde chegaram hoje à clínica La Quiete para esclarecer algumas informações sobre a "idoneidade" do centro para receber a paciente.

Em várias cidades da Itália estão acontecendo manifestações das associações católicas que pedem que o "respeito à vida de Eulana", enquanto outros grupos saíram às ruas para exigir "a defesa a liberdade do direito de morrer e o respeito à decisão da família".

EFE ccg/mh

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