Elite mundial vai à Polônia se despedir de Kaczynski e enterro gera polêmica

Juan Carlos Barrena. Varsóvia, 14 abr (EFE).- A elite política mundial chega neste domingo à Cracóvia para participar dos funerais do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e de sua esposa María, que serão enterrados no histórico castelo de Wawel, lugar onde repousam monarcas e grandes personalidades do país.

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Entre as presenças confirmadas estão os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Dimitri Medvedev, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o líder francês, Nicolas Sarkozy.

As autoridades da Cracóvia estão tendo trabalho para atender a tantos estadistas e assumir em tão pouco tempo a organização de um evento de tamanha dimensão.

Provisoriamente, os caixões de Kaczynski e de sua esposa serão colocados em uma cripta da catedral da fortaleza de Wawel, junto ao túmulo do mais famoso político do país do século XX, o marechal Jozej Pilsudszkiego (1867-1935), líder da independência da Polônia em 1918 após séculos de dominação russa, alemã e austríaca.

O sepultamento gerou polêmica entre a população já que ao enterrar Kaczynski no castelo de Wawel, se eleva o presidente a uma figura histórica da Polônia.

Ontem à noite varias centenas de pessoas se manifestaram contra o enterro do casal Kaczynski em Wawel, um impressionante conjunto arquitetônico medieval.

Intelectuais da categoria do diretor de cinema Andzrej Wajda também se uniram ao protesto. Ele considera um despropósito que o presidente polonês morto em um acidente aéreo seja elevado praticamente à categoria de herói nacional ao ser sepultado no mausoléu mais importante do país.

"Lech Kaczynski era um homem bom e modesto", escreveu Wajda em uma carta aberta ao público em que explica que o lugar eleito para seu último repouso foi exagerado e adverte que essa decisão "infeliz" carece de justificativa e pode suscitar protestos e uma divisão do país.

Enquanto o diretor exige que o enterro em um lugar tão emblemático seja suspenso, o prestigioso jornal "Gazeta Wyborcza" considera que a decisão foi "precipitada".

A cerimônia em Wawel será procedida por uma homenagem oficial às 96 vítimas - entre elas o presidente e sua esposa - da tragédia aérea ocorrida perto do aeroporto de Smolensk (Rússia) no sábado em Varsóvia junto ao túmulo do Soldado Desconhecido, dessa vez sem presenças famosas.

Enquanto isso, milhares de poloneses continuam peregrinando para o Palácio Presidencial em Varsóvia para honrar pela última vez o presidente morto e a sua esposa, cujos caixões foram colocados na Sala de Colunas sobre a bandeira da Polônia e escoltados por uma guarda militar de gala.

Alguns dos cidadãos suportaram mais de dez horas de fila para se despedir do casal presidencial. A maioria se ajoelha em frente aos caixões para fazer uma breve oração, quando não rompem em soluços, sobretudo as idosas.

O primeiro-ministro polonês, o liberal Donald Tusk, rival político de Kaczynski, se uniu ao velório com boa parte do seu gabinete hoje ao meio dia. Ele concorreu à Presidência do país há cinco anos.

As eleições presidenciais, adiantadas pela morte de Kaczynski, devem ser realizadas no dia 20 de junho, uma das duas datas anunciadas hoje pelo chefe da Chancelaria do Sejm, o Parlamento polonês, Lech Czapl.

O presidente do Parlamento e chefe de Estado interino, Bronislaw Komorowski, anunciou disse que a data definitiva para o antecipação das eleições presidenciais na Polônia será comunicada dentro de uma semana. EFE jcb-nt/pb

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