Elisabeth Fritzl criou quatro primeiros filhos em cela de 35 metros quadrados

Wanda Rudich Zeillern (Áustria), 5 mai (EFE).- Elisabeth Fritzl passou os primeiros nove anos de cativeiro e criou quatro de seus sete filhos em um recinto de apenas 35 metros quadrados, antes que seu pai e carcereiro ampliasse sua prisão subterrânea em 20 metros quadrados.

EFE |

Foi isso o que Franz Polzer, chefe do Escritório contra o Delito da Baixa Áustria, explicou durante uma entrevista coletiva em Zeillern, ao apresentar os resultados das investigações realizadas nos últimos dias sobre o pior caso de abuso e incesto conhecido naquele país.

Os agentes chegaram à conclusão de que Josef Fritzl deveria estar obcecado com a idéia de trancar a sua filha muito antes de realizá-lo, e que enganou as autoridades ao apresentar o plano de ampliação de sua casa em 1978.

"Partimos com segurança do fato de que no planejamento (...) já tinha sido prevista a inclusão de um pequeno segredo na construção", explicou o chefe de polícia.

O aposentado de 73 anos construiu um espaço subterrâneo secreto sob o edifício novo que planejava construir e a casa original, que data de 1890.

Depois, bloqueou o acesso com um muro, e posteriormente o reabriu e colocou uma porta de 500 quilos que camuflou com algumas estantes de ferramentas.

"Esse espaço, sem janelas, era a área central que serviria de calabouço", disse Polzer.

Em 1984, Josef levou sua filha, então com 18 anos, a esse lugar, onde a amarrou, prendeu e cometeu continuamente abusos sexuais durante anos.

Ali, Elisabeth deu à luz, sem nenhum tipo de assistência, a quatro crianças e, de acordo com a informação vazada à imprensa no fim de semana passado, elas foram testemunhas dos abusos sexuais sofridos por sua mãe e dos partos de seus irmãos.

"A partir de 1993, o espaço deve ter ficado pequeno demais, com três crianças", disse Polzer.

A quarta filha, Lisa, que nasceu com uma grave doença, foi criada no domicílio oficial de Josef, adotada por ele e sua esposa, que acreditava que Elisabeth estava em uma seita e tinha abandonado o bebê diante da casa, um procedimento que se repetiria com dois outros filhos-netos.

Após o nascimento do quarto filho, o "pai-avô" ampliou o cativeiro incluindo outros espaços subterrâneos que existiam debaixo do edifício antigo, conectados entre si por corredores estreitos.

Polzer insistiu que a tese policial continua se baseando na hipótese de que Josef Fritzl atuou sozinho, sem a ajuda de cúmplices.

"Entendo que as pessoas não aceitem; mas (Josef) é um caso único, de grande capacidade física e intelectual. O resultado fica claramente patente neste calabouço. É um agressor único, extremamente ativo", ressaltou ele, afirmando que as investigações no local continuarão por toda esta semana.

Por outro lado, o porta-voz da Promotoria de Sankt Pölten, Gerhard Sedlacek, anunciou que Josef Fritzl, detido em prisão preventiva, comparecerá pela primeira vez perante a Promotoria encarregada do caso na próxima quarta ou quinta-feira.

Os agentes acham que nos últimos anos Fritzl tinha começado a planejar o retorno de Elisabeth e seus filhos à família, mas seus motivos são desconhecidos: se especula que poderiam estar relacionados com a grave doença de Kerstin.

Josef Fritzl sabia do caso de Natascha Kampusch, a jovem que passou oito anos presa por seu raptor em um cativeiro subterrâneo perto de Viena, antes de escapar com 19 anos, em agosto de 2006.

"Mas não sabemos que efeitos (essa história) causou em sua mente", disse Polzer.

Não se sabe se Elisabeth, que em seu calabouço tinha televisão, também conhecia a história de Natascha, pois não foi feita essa pergunta em seu único interrogatório até o momento, realizado após sua detenção.

Polzer destacou que a vítima foi detida no dia 26 de abril pela Polícia como suspeita da aparição de sua filha Kerstin em estado inconsciente e gravemente doente, mas sem nenhum documento nem registro.

"Achávamos que era uma mulher que tinha se deitado não sabemos com quantos homens em uma seita desconhecida, e tinha que nos dizer onde tivera os filhos abandonados na frente da casa do pai", disse.

"Foi aí que nos contou a verdadeira história", lembrou Polzer.

EFE wr-ll/bm/gs

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