Eliane Brum diz que Prêmio Rei da Espanha honra jornalismo de rua

Madri, 13 abr (EFE).- A jornalista brasileira Eliane Brum, que recebeu hoje o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha na categoria Imprensa, disse que a distinção representa o reconhecimento de um jornalismo que vai à rua.

EFE |

"Hoje é cada vez mais difícil fazer um jornalismo que não fique dentro das redações", declarou à Agência Efe Eliane, agraciada pela reportagem sobre o avanço do islamismo entre a população negra do Brasil.

Eliane lamentou que se destine "cada vez menos dinheiro para financiar as grandes viagens, as reportagens que necessitam de mais tempo de elaboração, para o jornalismo que precisa de meses para fazer uma reportagem".

"Ganhar este prêmio (US$ 8,4 mil) é o reconhecimento que este é o melhor caminho para um jornalismo que saia do lugar comum", ressaltou a jornalista.

Sua reportagem, com o título "O Islã dos Manos", foi publicada na revista "Época", de São Paulo, em 2 de fevereiro de 2009.

O trabalho aborda a expansão do islamismo nos núcleos da população negra do Brasil, embora a análise aborde a situação em São Paulo.

"Este é um fenômeno recente no Brasil", explicou a jornalista, que se deparou com essa realidade ao caminhar "como repórter pelas favelas das periferias das grandes cidades do Brasil" e perceber o avanço dos adeptos ao islamismo.

"Comecei a tentar entender este fenômeno muito complexo", apontou Eliane.

Por enquanto, "não há conflito" entre a população muçulmana e a maioria cristã do país, pois existe pouco contato entre os dois grupos, apesar de "os cristãos não se darem conta sobre a importância deste novo fenômeno", acrescentou.

Os Prêmios Internacionais de Jornalismo Rei da Espanha, que são concedidos anualmente pela Agência Efe e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), chegaram a 27ª edição.

Entregues hoje pelo Rei da Espanha Juan Carlos, podem se candidatar aos prêmios jornalistas dos países ibero-americanos, dos EUA, Filipinas, Guiné Equatorial, Israel e Marrocos. EFE pa/dm

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