'Eles quiseram matar', diz madrinha de brasileiro atingido por taser na Austrália

Ao iG, Patricia Laudisio cobra retratação da Austrália e punição para policiais que mataram jovem de 21 anos em Sydney

Luísa Pécora, iG São Paulo |

A madrinha do estudante brasileiro Roberto Laudisio, morto pela polícia de Sydney , fez um apelo por uma retratação do governo australiano e pela punição dos homens que atiraram no jovem com um arma de eletrochoque no dia 18. "A Austrália precisa punir essa covardia brutal", afirmou Patricia Laudisio ao iG , durante um protesto em São Paulo neste domingo. "Eles (os policiais) quiseram matar. Ninguém dispara uma arma de taser quatro vezes se não quer matar."

Cerca de 150 amigos e familiares de Laudisio cobraram explicações do governo australiano durante o protesto desse domingo. Os manifestantes, a maioria jovens, colocaram pacotes de bolacha em frente ao Consulado Geral da Austrália, em alusão à acusação da polícia de que Laudisio foi morto durante uma perseguição após ter roubado biscoitos de uma loja.

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Tércio Teixeira/Futura Press
Amigos do estudante Roberto Laudisio em protesto neste sábado em frente
Patricia disse duvidar de que o jovem tenha roubado o pacote de biscoitos, mas ressaltou que a atitude da polícia australiana é injustificada sob qualquer ponto de vista. “Mesmo que ele tenha roubado ou que estivesse drogado, não importa. Qualquer pessoa tem o direito de se defender e ele não teve”, disse. “Onde estão os direitos humanos? Eles erraram, pronto.”

Casada com o tio de Laudisio, Patricia ajudou a criar o brasileiro, que ficou órfão de pai e mãe durante a infância. “Viajávamos juntos, ele chamava meu pai de avô”, contou, chorando. “Quando ligava para perguntar o que tinha para o almoço, eu dizia para ele escolher.”

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A madrinha de Laudisio exige uma retratação pública do governo australiano. “Queremos que alguém se manifeste, que os responsáveis sejam punidos e que acabe todo esse sigilo”, afirmou, criticando a falta de informações dadas pelas autoridades sobre as investigações. “Eles querem abafar a história para não afetar a imagem da Austrália.”

pós colocarem os pacotes de bolacha em frente ao consulado, localizado na alameda Santos, perto da avenida Brigadeiro Luís Antônio, nos Jardins, os manifestantes seguiram em passeata até o Masp, na avenida Paulista. Acompanhados por policiais, eles fecharam três das quatro faixas de trânsito e causaram pontos de congestionamento.

No cruzamento entre a Brigadeiro e a Paulista, os manifestantes se sentaram no asfalto e fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Laudisio. No vão livre do Masp, fizeram um círculo e, de mãos dadas, rezaram pelo brasileiro.

O clima era mais de revolta que de comoção. Vestidos com camisetas brancas - que tinham o rosto do brasileiro na frente a hashtag “#betãoprasempre na parte de trás -, os manifestantes mostravam cartazes com críticas à Austrália enquanto gritavam palavras de ordem como “paz, amor, justiça por favor”.

Laudisio estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul de Sydney.

A ação policial que culminou em sua morte teve início após o furto de um pacote de biscoitos em uma loja de conveniência durante a madrugada. O repórter Marcos Moreira, do serviço brasileiro da emissora de rádio australiana SBS (Special Broadcasting Service), falou com funcionários da loja, e um deles não reconheceu Laudisio como o autor do roubo. e roubou um pacote de biscoitos e depois fugiu.

As imagens da câmera de vigilância do local estão em poder da polícia de Sydney e até o momento não foram divulgadas. Não há previsão para a chegada do corpo de Laudisio ao Brasil.

O jovem, que era órfão desde a infância, será enterrado no mesmo túmulo que o de seus pais no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

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