Eleitores votam em Milão apesar do ceticismo e desânimo

Em Milão, cidade do norte da Itália e feudo de Silvio Berlusconi, os italianos pareciam desiludidos a caminho das urnas nesse domingo, pos duvidam da capacidade dos políticos para salvar a economia em crise.

AFP |

"O panorama político não é muito sedutor e precisa de novas personalidades. Não acompanhei muito a campanha, me parece que os programas são pouco concretos", explica Flavia, de 40 anos, em frente a um colégio eleitoral no oeste da cidade.

"Para o vencedor será difícil governar sem acordo com os pequenos partidos. O primeiro ponto será modificar a lei eleitoral, mas será difícil", opina Adriano, um executivo também de 40 anos, se referindo a lei em vigor que dificulta a obtenção de maioria no Senado.

A maior parte das conversas gira em torno do custo de vida e do medo de ver a Itália atrasada em relação aos outros países europeus.

No colégio Dante Alighieri, em um bairro de classe médio onde voto o líder conservador e candidato Silvio Berlusconi, essas preocupações estavam presentes com os eleitores.

"A Espanha, durante muito tempo atrás da Itália, é agora mais rica que nós. Os candidatos fazem muitas promessas, mas todo mundo sabe que nosso país não irá conseguir cumpri-las", considera Walter Cavalari, eleitor fiel a Berlusconi, conhecido como o "Cavaliere".

O líder de centro-esquerda e ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni, prometeu "uma bonificação a partir de julho para as pensões menores e Berlusconi um aumento segundo o custo de vida. Mas em janeiro, a alta foi de 1%, uma miséria comparada com a inflação", afirma o eleitor Paolo Caramella.

"Sou favorável a Berlusconi mas ele é melhor empresário que político", acrescenta.

Outra eleitora da cidade, Lucia Bertucci, reconhece porque vota em Berlusconi.

Ela elogia "uma campanha onde o cenário político ficou mais claro" que em 2006, com dois grandes partidos: o Partido Democrata (PD) de Veltroni e o Partido Povo da Liberdade (PDL) de Berlusconi.

Contudo, se lamenta do "aumento ininterrupto dos impostos, que obriga gastar as economias".

"A política italiana está um caos! Não segui a campanha, os candidatos se ocupam pouco de nossas dificuldades para viver", espeta Chiara Calabria, dona de casa.

Em um colégio eleitoral ao leste, Orsala Spadano, escrivã no Tribunal de Milão, não sabe ao certo em que vai voltar.

"Voto pela esquerda mas estou cética sobre os programas. Irei decidir mais pelos valores cristãos", explica.

Em sua vida cotidiana, Spadano diz se sentir "desorientada pela falta de instrumentos que pesa sobre o funcionamento da justiça".

"Meu outro medo é a saúde, tenho medo de que a direita privatize o setor e que se tratar torne-se algo inacessível para uma parte da população", confessa.

Em Milão, capital econômica do país, as eleições acontecem sem maiores problemas.

Os telefones celulares foram proibidos nas baias de votação. Fotografar o voto assim que ele é emitido para servir como prova é uma prática comum nas regiões onde a máfia possui influência e negocia votos, em especial no sul do país.

ef/fb

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