Eleitores foram forçados a ir às urnas, diz Tsvangirai

Por Cris Chinaka HARARE (Reuters) - O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, acusou o presidente Robert Mugabe de forçar os eleitores do país a votar nesta sexta-feira, numa eleição na qual Mugabe é o único candidato.

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No poder há 28 anos, Mugabe realizou a votação apesar de uma onda de condenação internacional depois que Tsvangirai se retirou da disputa em consequência da violência, apoiada pelo governo, contra seus partidários.

Refugiado há seis dias na embaixada da Holanda em Harare, Tsvangirai disse em uma coletiva de imprensa que milhões de pessoas não foram às urnas, apesar da intimidação. Ele retornou à embaixada depois de falar com os jornalistas.

'O que acontece hoje não é uma eleição. É um exercício de intimidação em massa, pessoas de todas as partes do país estão sendo forçadas a votar', disse Tsvangirai.

A oposição diz que cerca de 90 de seus partidários foram mortos.

O comparecimento foi baixo em áreas urbanas onde o Movimento pela Mudança Democrática, o partido de Tsvangirai, é tradicionalmente forte. Mas não ficou claro qual foi a participação dos eleitores nos distritos rurais.

Tsvangirai, que qualificou a votação de farsa, fez um chamado logo cedo à população para se abster, mas disse que deveriam ir às urnas se estivessem correndo perigo.

'O que quer que aconteça, os resultados não serão reconhecidos pelo mundo. Não importa o que você for forçado a fazer, nós sabemos o que está no seu coração. Não ponha sua vida em risco. A vitória do povo pode ser adiada, mas não será negada', disse ele em um comunicado.

O comparecimento ficou mais baixo nas áreas urbanas do que nas eleições parlamentares e presidencial de março, quando os eleitores fizeram filas desde cedo.

Tsvangirai venceu a eleição presidencial de 29 de março, mas obteve uma votação pouco aquém da maioria necessária para evitar o segundo turno.

O Grupo dos Oito, que abrange as nações mais ricas do mundo, condenou o Zimbábue por ter realizado o segundo turno e os EUA disseram que o Conselho de Segurança da ONU pode analisar a imposição de novas sanções na semana que vem.

Tsvangirai disse compreender a posição do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, de reconhecer a reeleição de Mugabe, mas afirmou que seria um 'sonho' esperar que seu partido, o MDC, integre um governo de unidade nacional com o partido ZANU-PF, de Mugabe.

Mbeki, designado mediador regional no Zimbábue, tem sido amplamente criticado por sua branda atitude em relação a Mugabe, apesar de o Zimbábue atravessar uma crise econômica que levou milhões de pessoas a buscar refúgio na África do Sul e outros países.

Tsvangirai disse que os eleitores receberam ordens de registrar os números de sua cédula de votação para que seu voto possa ser identificado depois. Milícias pró-Mugabe ameaçaram matar qualquer pessoa que se abstiver ou votar na oposição, disse ele.

O dedo mínimo do eleitor é marcado com tinta.

(Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe e Nelson Banya em Harare, John Chalmers em Tóquio, Dan Wallis em Sharm el-Sheikh, Marius Bosch e Michael Georgy em Johannesburgo)

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