Eleitores do Chile votam para presidente em 2º turno

Cerca de 8 milhões de eleitores chilenos devem votar, neste domingo, no segundo turno das eleições presidenciais - para decidir se querem a continuidade da frente de centro-esquerda Concertación, há 20 anos no poder, ou a entrada da centro-direita, que há cinco décadas não é eleita.

BBC Brasil |

Reuters
Pinera e Frei disputam a eleição chilena

Pinera e Frei disputam a eleição chilena

Em um clima de apatia política, no primeiro turno, em dezembro, quase 1 milhão de eleitores se absteve da votação. Ao mesmo tempo, 75% dos jovens, entre 18 e 30 anos, sequer se registraram no tribunal eleitoral para votar.

A disputa entre o ex-presidente Eduardo Frei, da Concertación, que governou o país entre 1994 e 2000, e o ex-senador Sebastián Piñera, da Coalición por el Cambio (Frente para Mudança), promete um resultado apertado.

Segundo o instituto de opinião Adimark, Piñera venceria com 5% de vantagem. Já o levantamento do Equipos Mori, indicou vantagem de 1,8% para Piñera, com empate técnico entre os presidenciáveis.

Seja quem for eleito, a expectativa é que "não haverá grandes mudanças" no rumo econômico adotado pelo Chile, como disseram à BBCBrasil, o embaixador do Brasil em Santiago, Mario Vilalva, e os analistas Guillermo Holzmann, da Universidade do Chile, e Ricardo Israel, da Universidade Autônoma.

"O Chile escolheu um caminho e a está decidido a mantê-lo porque lhe deu benefícios", disse o embaixador. "O resultado não mudará o rumo econômico chileno", afirmou Israel.

Economia aberta

A expectativa é que Piñera ou Frei mantenham o atual modelo econômico, lançado em 1982 no regime de Augusto Pinochet (1973 a 1990) e respeitado pela Concertación - um modelo baseado na abertura da economia com acordos de livre comércio com 56 países e grupos de países.

"Os governos da Concertación introduziram questões que são bandeira da esquerda, como o combate a pobreza e a inclusão social. Mas agora o eleitor quer mais", afirmou Holzmann.

Nos cinco governos da Concertación, que assumiu o poder com o retorno da democracia, a pobreza caiu de 44% para 13%, de acordo com dados oficiais.

"Frei e Piñera são conhecidos do eleitorado. Mas Piñera chega ao segundo turno muito mais pelo desgaste do tempo da Concertación do que pela simpatia do eleitorado pela direita", afirmou Holzmann.

Analistas de diferentes tendências entendem que, perdendo ou ganhando, a Concertación deverá se "refazer" para reconquistar o eleitorado.

"Esta frente surgiu para combater a herança de Pinochet. Esta é a primeira eleição com Pinochet morto e com um eleitorado que não está preocupado com ideologias, mas com melhoras na sua vida", destacou Holzmann.

Novas demandas do Chile

Já o analista Gabriel Villarroel escreveu no jornal La Tercera que a Concertación "ou o que sobrou dela" vai ter que mostrar que pode atender às novas demandas dos chilenos. Entre as queixas dos chilenos está a de que os políticos não escutam suas necessidades.

"Tenho dois filhos na universidade e para pagar as mensalidades deixei meu emprego de administrador e passei a trabalhar 18 horas como taxista. Há anos reclamamos aqui que a universidade seja pública para os mais carentes. Ninguém nos ouve. Por isso, vou anular meu voto de novo", disse Ivan Cervantes, de 52 anos.

O eleito deverá negociar seus projetos com parlamentares do Congresso Nacional, já que os partidos políticos nunca deram tantos sinais de fragmentação como atualmente.

País com cerca de 16 milhões de habitantes, dependente, principalmente, das exportações de cobre, o Chile mostra ter um novo desafio: reconquistar o eleitor e fortalecer seu sistema democrático.

"Um país democrático precisa de partidos fortes, eleitorado participante e sociedade interessada pela política. E isso não está ocorrendo hoje aqui", disse Marta Lagos, da Equipos Mori.

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