Eleitores comparecem em massa às urnas no Irã

Os iranianos compareceram em massa às urnas nesta sexta-feira para votar em uma das mais apertadas disputas presidenciais da história do país. O presidente Mahmoud Ahmadinejad concorre à reeleição em uma disputa acirrada contra o ex-primeiro-ministro reformista Mir Houssein Mousavi.

BBC Brasil |

Além deles, também concorrem o candidato conservador Mohsen Rezai e o reformista Mehdi Karroubi
A votação começou às oito da manhã, hora local, e até o meio da manhã, 5 milhões de eleitores já haviam votado, segundo o Ministério do Interior. O horário de abertura das urnas foi estendido em duas horas.

Alguns dos eleitores expressaram preocupação com possíveis fraudes. Há forte preocupação, em particular, com os postos de votação móveis, que não podem ser monitorados tão proximamente como os postos fixos.

A oposição ainda reclamou que parte do sistema de envio de mensagens por celular não está funcionando. Eles pretendiam usar este sistema para monitorar os votos.

Se nenhum dos candidatos conseguir atingir a maioria absoluta dos votos nesta sexta-feira, os dois primeiros colocados disputarão um segundo turno já no próximo dia 19.

Comparecimento
Analistas afirmam que o comparecimento em massa dos eleitores pode ser determinante para o resultado do pleito.

Todos os iranianos com mais de 18 anos podem votar nestas eleições, o que constitui um eleitorado de 46,2 milhões de pessoas. Cerca de 50% dos eleitores têm menos de 30 anos de idade.

Segundo o analista da BBC para assuntos ligados ao Irã, Sadeq Saba, grande parte deste eleitorado jovem parece apoiar o candidato moderado Mir Hossein Mousavi.

Já o presidente Mahmoud Ahmadinejad tem bastante apoio entre as classes mais empobrecidas das áreas urbanas e em áreas rurais.

De acordo com Saba, as mulheres também têm demonstrado um grande interesse pelas eleições e tenderiam a votar em candidatos mais moderados, que prometeram um aumento nas liberdades individuais.

Os eleitores em regiões onde existem minorias religiosas ou étnicas também têm bastante peso, já que eles normalmente votam em candidatos reformistas.

Mousavi que tem origem azeri, deve conseguir votos entre a etnia, assim como Mehdi Karroubi em sua província nativa, o Lorestão.

Campanha
De acordo com o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, a campanha, que teve um início morno, ganhou a atenção da população após debates televisionados entre os candidatos na semana passada.

O encerramento das campanhas, na última quarta-feira, foi marcado por comícios acompanhados por milhares de pessoas e manifestações de eleitores nas ruas de Teerã a favor de seus candidatos.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad encerrou sua campanha com um discurso televisionado em que acusou seus adversários de dizerem "mentiras" e "insultos" para desacreditar seu governo.

Durante o pronunciamento, o presidente iraniano afirmou que gráficos e documentos sobre a situação econômica do país apresentados por seus adversários seriam falsificações feitas com a ajuda de "entidades sionistas", em uma referência a companhias israelenses
Os três outros candidatos à Presidência do Irã teriam se recusado a fazer pronunciamentos na televisão, aparentemente por não ter sido oferecido a eles o mesmo tempo de transmissão de Ahmadinejad.

Com base na retórica dos candidatos e em pesquisas de opinião, é possível afirmar que o assunto que mais tem preocupado os eleitores nas eleições deste ano é a economia.

A queda nos preços do petróleo, a inflação, os gastos governamentais e o desemprego estão entre as principais preocupações dos iranianos.

Atenção internacional
De acordo com o correspondente para assuntos diplomáticos da BBC, Jonathan Marcus, o resultado das eleições também será acompanhado de perto pelos governos dos Estados Unidos, Israel e de países europeus.

Uma eventual derrota de Ahmadinejad nas eleições poderia representar uma mudança na abordagem belicosa do governo iraniano para com os Estados Unidos e Israel.

Além disso, segundo Marcus, uma eventual mudança na política dos Estados Unidos para o país só poderá ser colocada realmente em prática quando os resultados das eleições ficarem claros.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG