Eleitores começam a votar em Israel

Jerusalém - Os colégios eleitorais de Israel abriram suas portas na manhã desta terça-feira por volta 7h (3h, Brasília) para as eleições gerais que decidirão a composição do Parlamento e do próximo Governo.

EFE |

As 9.263 urnas distribuídas por todo o país já estão abertas e 5,2 milhões de israelenses poderão votar até as 22h (18h, Brasília), conforme informa a imprensa local.

O dia amanheceu chuvoso em várias cidades de Israel, o que pode diminuir a participação dos eleitores.

Campanhas pouco empolgantes

Os eleitores afirmam que entre os candidatos ao cargo de primeiro-ministro, na eleição parlamentar desta terça-feira, eles terão que escolher entre "dois ex-premiês fracassados" - Bibi Netanyahu e Ehud Barak - ou "uma desconhecida" para muitos, Tzipi Livni.

Em termos de política existem poucas diferenças entre os três. Depois da recente ofensiva na Faixa de Gaza, saúde, educação e a economia mal apareceram na campanha, mesmo com o fato de Israel, como muitos outros países, estar entrando em recessão.

Mais uma vez em uma eleição israelense, segurança e defesa dominam o discurso, desta vez com o endurecimento das atitudes.

Reuters
Urna é vista em posto militar de Israel

Urna de votação é vista em posto militar de Israel

O casal britânico Paul e Caroline Frosch vive com os três filhos em Rananaa, no centro de Israel. Ambos afirmam que são liberais, até mesmo pendendo para a esquerda. Antes de se mudarem para Israel no começo da década de 90, Caroline era voluntária do Partido Trabalhista britânico.

Mas a realidade da vida em uma Israel cercada, segundo eles, por vizinhos ameaçadores na Faixa de Gaza, Líbano e Irã, fez com que eles apoiassem ações militares.

"Você equilibra de um lado esta bolha particular onde você vive em um clima Mediterrâneo e tudo parece bom e feliz e, por outro lado, o senso coletivo de ameaça iminente", disse Paul Frosch.

"Existem guardas em frente a escolas, guardas em frente a creches, guardas em frente a lojas que revistam as pessoas que entram", disse Caroline.

"Não acho que, necessariamente, fiquei mais de direita. Acho que, possivelmente, você fica mais realista. Ser realista significa que, em certas situações, você precisa responder à violência com violência."
O casal afirma que apoiou a recente ofensiva israelense na Faixa de Gaza "para encerrar anos de ataques com foguetes contra civis israelenses".

A operação foi lançada por uma coalizão de governo de centro-esquerda, perto da eleição. Acredita-se que a esperança era de que uma vitória poderia ajudar a mudar a sorte do partido no dia da eleição, depois da divulgação de pesquisas que previam a vitória da centro-direita.

No final, um partido de extrema-direita, nacionalista, conseguiu se sair melhor depois da retirada israelense na Faixa de Gaza.

Algumas pesquisas afirmam que o partido Yisrael Beytenu pode se transformar no terceiro maior depois das eleições, ultrapassando o Trabalhista, identificado por muitos israelenses como o fundador do Estado de Israel.

O líder do partido de direita, Avigdor Lieberman, está envolvido em uma longa investigação da polícia por lavagem de dinheiro e fraude. Ele nega as acusações, mas seu discurso inflamado e contra os árabes faz com que seus adversários o comparem a Mussolini e Stalin.

Na última eleição ele conquistou o voto de lealdade de israelenses da antiga União Soviética, mas agora sua popularidade aumentou.

Danny Ayalon, ex-embaixador israelense nos Estados Unidos, é o número três na hierarquia do partido.

"Os israelenses estão procurando por respostas claras e conversa direta", disse. "Eles precisam de segurança, precisam de estabilidade."
"A amarga experiência que tivemos, quando cedemos terra como na Faixa de Gaza, ou Líbano, ou na Cisjordânia, é que, em troca, recebemos o terror", afirmou.


Palestina caminha em frente a cartaz de Livni / AP


Nem todos os israelenses estão optando pela política de direita, mas a maioria parece se dirigir para a direita em suas atitudes em relação à paz. A maioria dos israelenses acredita enfrentar uma ameaça diária.

"Acredito que, em grande parte, paz se transformou em uma palavra obscena. Paz é algo associado com um pesadelo. Nós tentamos. Não conseguimos", disse Ephraim Inbar, professor no Centro de Estudos Estratégicos Begin Sadat.

"Pessoas que dizem que queremos paz ou que vemos um belo futuro, são ridicularizadas hoje em dia. (O presidente e vencedor do Prêmio Nobel da Paz Shimon) Peres foi reintegrado e aceito novamente pela sociedade israelense quando parou de proclamar fantasias como esta."

Mas a razão de o mundo se interessar tanto pela eleição parlamentar de um país tão pequeno como Israel se deve à idéia de paz, o fim de décadas de conflito entre israelenses e palestinos.

Tzipi Livni, do partido centrista Kadima, e Ehud Barak, do Trabalhista, teoricamente de centro-esquerda, promovem a ideia de dois Estados - Israel e um Estado palestino independente existindo juntos.

Bibi Netanyahu, do Likud, apontado pelas pesquisas como o próximo premiê, prefere falar de solução "econômica" para a questão palestina, sugerindo uma preferência por acordos financeiros e práticos entre israelenses e palestinos ao invés de um acordo a respeito de terras.

Todos os três apoiam a construção de novas casas em assentamentos judeus na Cisjordânia. Os assentamentos são considerados ilegais segundo as leis internacionais.

O Banco Mundial, a ONU, a União Europeia e os Estados Unidos citaram os assentamentos como um grande obstáculo para um acordo de paz com os palestinos.

Mas muitos ainda acreditam na continuidade dos conflitos. Adi Margolus, 18 anos, acredita que apenas o Exército israelense poderá manter seu país seguro e vai iniciar o serviço militar na época da eleição.

"Acho que é importante para todo adolescente servir o Exército. Acho que o Exército nos protege, pois a cada dia alguém pode nos atacar - Síria, Líbano", disse.

"Espero que a paz aconteça algum dia, mas não acho que será logo. Servir o Exército é algo que devemos fazer. Acho que meus filhos também terão que fazer isso", acrescentou.


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