Washington, 23 ago (EFE).- Os eleitores de Hillary Clinton têm outro motivo para participarem aborrecidos da convenção nacional do Partido Democrata, já que o candidato presidencial Barack Obama não a considerou seriamente para a Vice-presidência em sua chapa, informou hoje a imprensa americana.

Hillary, que foi a adversária mais forte de Obama nas primárias democratas, terminou sua campanha com uma dívida de US$ 24 milhões e sem delegados suficientes para se tornar a primeira mulher candidata à Presidência dos Estados Unidos.

Dada a importância de sua trajetória na corrida eleitoral, criou-se a expectativa de que a ex-primeira-dama poderia ser uma boa candidata a vice-presidente.

Segundo a imprensa, que cita hoje fontes próximas a Hillary, Obama nem se deu ao trabalho de revisar o currículo da senadora por Nova York, processo de rotina na seleção de candidatos.

"Duas fontes próximas a Hillary destacaram que Obama jamais pediu a ela a documentação financeira e outros registros necessários no processo de seleção", que inclui "o exame detalhado do passado de um potencial companheiro de chapa" para "evitar surpresas desagradáveis depois do anúncio", diz o jornal "Newsday".

Por sua vez, o jornal "Politico" citou "um funcionário democrata", segundo o qual "Hillary nunca foi consultada": "Nunca pediram a ela um só documento, e ela e o senador Obama jamais tiveram uma só conversa sobre a possibilidade de ela ser vice-presidente".

A informação de que não houve um exame sério do histórico de Hillary "acendeu as críticas de simpatizantes da senadora no sentido de que isto foi um gesto de menosprezo em relação à ex-primeira-dama, cujos seguidores ameaçam com uma ruidosa manifestação de descontentamento na convenção".

James Carville, estrategista democrata próximo ao ex-presidente americano Bill Clinton e a sua mulher, acredita que esta falta de avaliação dos antecedentes da senadora "sem dúvida será vista como se ela não fosse tratada com o devido respeito".

Como parte das negociações para apaziguar os seguidores mais afins a Hillary - que obteve 18 milhões de votos nas primárias -, Obama aceitou que, durante a convenção, o nome da ex-primeira-dama seja apresentado "simbolicamente" como candidata presidencial e que haja uma votação entre os delegados.

Apesar de os estrategistas da campanha de Obama dizerem que isso é uma demonstração de respeito a Hillary e que, de qualquer modo já há maioria suficiente para assegurar a candidatura de Obama, alguns analistas acham que a votação abre oportunidade para um protesto ruidoso dos simpatizantes da senadora por Nova York.

Dentro da mais estrita correção política, Hillary, assim que soube da escolha de Joe Biden para compor a chapa de Obama, declarou que o senador por Delaware é um "líder extraordinariamente forte e experiente, assim como um dedicado servidor público". EFE jab/wr/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.