Eleitoras americanas podem decidir eleição em favor de Obama

Cortejadas pelos candidatos à Casa Branca, as americanas, que superam em número os eleitores homens, desempenharão como nas eleições anteriores um papel-chave na escolha do futuro presidente dos Estados Unidos.

AFP |

Elas foram 8,8 milhões a mais do que os homens nas eleições de 2004, e esse número poderá chegar a 9 milhões neste ano, com um recorde de mulheres inscritas nas centrais eleitorais.

E a maioria delas poderá optar pelo candidato democrata Barack Obama.

Enquanto que "todas as pesquisas nacionais realizadas desde o primeiro debate presidencial, no final de setembro dão vantagem ao senador Barack Obama, quase todas mostram que ele é apoiado mais pelas mulheres do que pelos homens", indica um estudo do Centro para as Mulheres Americanas e a Política (CAWP) da Universidade Rutgers (Nova Jersey).

O fenômeno não é tão recente: desde 1992, as mulheres votam mais nos democratas.

"As mulheres e os homens têm prioridades claramente diferentes e essas diferenças se expressam além das linhas partidárias", analisa Allyson Lowe, diretora do Centro para as Mulheres, a Política e as Políticas Públicas da Pensilvânia (leste), da Universidade Chatham de Pittsburgh.

Segundo a diretora do CAWP, Debbie Walsh, as mulheres defendem mais uma intervenção maior do Estado, como propõe o Partido Democrata.

"As mulheres são economicamente mais vulneráveis do que os homens, envolvidas com maior freqüência nos problemas cotidianos. E por causa disso, elas têm necessidade de segurança social e aspiram a programas" mais baseados nesse tema, explica ela.

Tina Papagiannopoulos, uma advogada de 37 anos que se apresenta como independente de partidos, disse ainda que votará em Obama porque "ele tem razão sobre a economia, sobre a causa dos problemas do país e sobre a maneira de responder a eles".

No final de agosto, a escolha de Sarah Palin, mãe de cinco filhos, para a chapa republicana foi entendida como uma tática do campo republicano para atrair as eleitoras decepcionadas com o fato de Obama ter escolhido para vice um homem, Joe Biden, e não Hillary Clinton.

Mas de acordo com todas as pesquisas, Palin é mais popular entre os homens do que entre as mulheres: Dianne Winiarz, 45 anos, eleitora independente de Massachusetts (nordeste), votará em McCain, mas considera que certamente não foi motivada pela escolha de Palin, que ela considera "curiosa".

A história mostra, por outro lado, que as mulheres votam mais em função das propostas do que das pessoas.

Em 2000, um grupo de mulhares chamadas de "soccer moms" (mães que levam seus filhos para jogar futebol) pelas pesquisas, contribuiu para a vitória de George W. Bush, apoiando o seu programa baseado nos valores familiares, explica Lowe.

O mesmo grupo votou no mesmo candidato em 2004, mas com uma temática diferente: "algumas dessas mulheres (...) foram rebatizadas comos 'security moms' (mães pela segurança)" porque elas se diziam "mais preocupadas com a segurança de suas famílias e do país (após o 11 de Setembro) do que com a educação e a cobertura de saúde", acrescenta Lowe.

"Elas votaram em Bush em duas oportunidades, mas por diferentes razões", analisa. Resta saber em qual direção elas irão no dia 4 de novembro.

kdz/dm

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