Paula Regueira Leal. Lisboa, 26 set (EFE).- Os dois maiores partidos portugueses, o socialista (PS) e o social-democrata (PSD), que se alternaram no poder nas três décadas de democracia do país, voltam amanhã a decidir as eleições legislativas de Portugal.

Mas a pouca diferença de votos pode deixar a governabilidade do país, segundo todas as pesquisas, nas mãos de três partidos do segundo escalão - da esquerda marxista e da direita democrata-cristã -, que esperam ganhar destaque após quatro anos de uma maioria socialista monótona e absoluta.

O conservador Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP), de Paulo Levas, a Coalizão Democrática Unitária (CDU, comunistas e verdes), liderada por Jerônimo de Sousa, e o Bloco de Esquerda (BE), com Francisco Louça à frente, podem estar prestes a integrar o próximo Governo português.

O PS, fundado em 1973 e que tem o recorde de permanência no Governo (18 anos), parece conformado em não ter a maioria que, há quatro anos, deu comodidade a José Sócrates no poder. Além disso, chega à disputa com um forte desgaste, o que os demais partidos tentam aproveitar.

Entretanto, os socialistas estão confiantes e acreditam que conseguirão reter o poder que a legenda experimentou pela primeira vez em 1976, quando, após a Revolução dos Cravos, Mário Soares chegou ao Executivo, embora tenha permanecido no cargo por apenas dois anos.

Soares, o socialista com mais experiência de Governo, voltou ao Palácio de São Bento entre 1983 e 1985, e deixou uma forte marca política a favor de seu partido também como presidente da República, cargo que exerceu por uma década, a partir de 1986.

Já os social-democratas, que já tinham estado no poder nos breves mandatos de Mário Soares, chegaram ao Executivo através de outro grande nome da política lusa, Aníbal Cavaco Silva, atual chefe de Estado e primeiro-ministro durante quase uma década, entre 1985 e 1995.

Após seu longo mandato, os socialistas recuperaram o Governo com Antônio Guterres, que em 2002 teve que dar espaço a outro social-democrata, o atual presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.

Durão Barroso foi sucedido por seu companheiro de partido Pedro Santana Lopes, quando abandonou o Executivo português para assumir a Presidência da Comissão Europeia.

A até agora última etapa de poder social-democrata acabou com a arrasadora vitória de José Sócrates nas legislativas de 2005, que deu aos socialistas uma maioria absoluta pouco habitual ao longo da democracia portuguesa.

Agora, todas as pesquisas dão entre dez e 12 pontos a menos em relação aos 45% de votos do PS, seguido de perto por adversários do PSD que já venceram, embora por uma pequena margem, as eleições europeias de junho passado.

Se as pesquisas não se equivocarem e caso se repita um resultado similar a favor de um ou outro dos dois grandes nomes da política lusa, esse pode ser o ano dos pequenos partidos em Portugal.

A líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, pode ter como um aliado o conservador CDS-PP, capitaneado pelo ex-jornalista e ex-ministro Paulo Levas, que percorreu ruas e mercados em busca do que chamou do "voto dos desiludidos".

O CDS-PP foi colaborador de Governos de diferentes tipos, primeiro com o socialista Mário Soares e, posteriormente, em 2002, com o social-democrata Durão Barroso.

Na esquerda, a CDU participou de todas as eleições desde 1987 e pode ser um apoio necessário, mas difícil de conquistar, para Sócrates.

Seu líder, o comunista Jerônimo de Sousa, um antigo operário do setor metalúrgico, se mostra mais longe do PS que a legenda mais jovem da esquerda, o BE, criado em 1999 e agora terceira força política, prestes a ultrapassar a CDU nas pesquisas.

Seu dirigente, o professor universitário Francisco Louça, que foi líder estudantil na luta contra a ditadura, reconheceu "alguns méritos" do Governo Sócrates, mas se mostra também decidido a defender a todo custo um "autêntico" Governo de esquerda. EFE prl/rr

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