Eleições terminam no Afeganistão após saldo de 26 mortos

Os colégios eleitorais afegãos fecharam as portas nesta quinta-feira às 16h (8h30 de Brasília), após nove horas de votação nas quais foram registrados episódios de violência em diferentes pontos do país, com a morte de pelo menos 26 pessoas, a maioria supostos insurgentes.

Redação com agências |

Segundo o previsto pela Comissão Eleitoral, as urnas abriram às 7h (23h30 de Brasília) para que os aproximadamente 17 milhões de afegãos registrados pudessem votar em seus candidatos à Presidência e aos conselhos provinciais.

"A vasta maioria das seções eleitorais conseguiu abrir e receber material de votação", disse Aleem Siddique, porta-voz da missão da ONU em Cabul. "Estamos vendo filas formando-se nas seções eleitorais do norte, também na capital e, encorajadoramente no leste."

O presidente Hamid Karzai votou sob rígida segurança num colégio perto do palácio presidencial. Ele disse a jornalistas que seria "do interesse da nação" que o pleito se resolvesse no primeiro turno.

AFP

Presidente do Afeganistão deposita seu voto na urna

Mas as pesquisas sugerem uma boa votação do ex-chanceler Abdullah Abdullah, o que levaria à realização de um segundo turno em outubro. Os resultados preliminares devem levar pelo menos duas semanas.

A eleição também serve de teste para o presidente Barack Obama, que enviou cerca de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão como parte de sua estratégia para conter o Taleban.

O enviado especial de Obama à região, Richard Holbrooke, visitou seções eleitorais em Cabul e disse que a votação vista por ele foi "aberta e honesta." "Até agora, todas as previsões de um desastre se provaram erradas", afirmou o diplomata.

Confrontos e bombas

A insurgência talibã tinha pedido o boicote ao pleito de hoje e, durante a jornada eleitoral, houve incidentes violentos na capital, no norte (normalmente tranquilo), no sul e no leste afegãos.

O mais grave ocorreu no distrito de Jadeed, situado na província de Baghlan, onde um grupo de insurgentes atacou um posto das forças de segurança, matando um chefe policial e deixando outros dois agentes feridos.

O porta-voz da Polícia provincial, Jawid Basharat, explicou à agência de notícias Efe que as forças afegãs responderam ao ataque e mataram 21 supostos talibãs, deixando outros 22 feridos.

AFP
Mulheres fazem fila para votação em Kandahar

Também no norte, em Kunduz, capital da província homônima, dois mísseis caíram hoje perto de um colégio eleitoral, mas não deixaram vítimas.

Na capital do país, Cabul, militantes e forças do governo travavam um tiroteio. O comandante policial Abdullah Uruzgani afirmou que dois dos guerrilheiros foram mortos.

A explosão de uma bomba destruiu também um quartel policial na vizinha província de Takhar, onde dois supostos terroristas suicidas que tentaram invadir um colégio eleitoral foram detidos, segundo fontes policiais consultadas pela Efe.

Um incidente semelhante ocorreu em Gardez, capital da província de Paktia, mas desta vez as forças de segurança mataram um suposto suicida que pretendia entrar em um centro de votação, disse ao canal "Tolo TV" um porta-voz do Ministério da Defesa.

Também segundo as autoridades, nos arredores da cidade de Kandahar, um dos redutos talibãs, caíram dois mísseis.

No leste do Afeganistão, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) informou sobre a morte de um soldado americano sob seu comando devido a um ataque de morteiro, sem precisar em que província.

O porta-voz talibã Zabiullah Mujahid disse, em comunicado, que os insurgentes atacaram durante o dia pelo menos 16 colégios eleitorais, o que não foi confirmado pelas autoridades.

Durante as horas de votação, o porta-voz da missão da ONU no Afeganistão (Unama) Aleem Siddique disse à Efe que "as eleições estão sendo pacíficas, mas com as tentativas esperadas dos talibãs para interromper o processo".

O porta-voz acrescentou que uma "vasta maioria" dos colégios abriu durante a jornada eleitoral, mas nenhuma fonte oficial precisou em quantos dos 6,5 mil centros de votação previstos foi possível depositar os votos.

(Com informações da Reuters e da EFE)

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