Eleições sul-africanas devem confirmar favoritismo de Zuma

Johanesburgo, 22 abr (EFE).- A quarta eleição democrática da história da África do Sul terminou oficialmente às 21h locais de hoje (16h de Brasília), mas as urnas continuarão abertas nos colégios em que ainda há filas ou onde faltou material para a votação, segundo informou a Comissão Eleitoral Independente (CEI).

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O governamental Congresso Nacional Africano (CNA) tem praticamente assegurada a maioria absoluta neste pleito. Como a Assembleia Nacional é quem escolhe o presidente, é quase impossível que o líder da legenda, Jacob Zuma, não seja o próximo chefe de Estado da África do Sul.

Entretanto, o resto dos partidos sul-africanos desenvolveu uma agressiva campanha para impedir que o CNA seja eleito novamente para mais de dois terços do Legislativo.

Diversas legendas se queixaram da falta de urnas e cédulas e de outros materiais em muitos centros eleitorais de pelo menos três províncias - Gauteng, Cabo Ocidental e Estado Livre.

"Todos os centros eleitorais serão fechados às nove da noite; no entanto, todos os eleitores que estejam na fila até esse horário poderão votar", disse o comissário eleitoral Terry Tselane em entrevista coletiva concedida em Pretória.

Tselane destacou que, com a ajuda dos partidos políticos, o problema será solucionado com a "redistribuição" do material eleitoral nas áreas onde houve problemas.

O responsável eleitoral disse que o problema foi causado por uma norma que permite a certos eleitores votar em um colégio diferente do qual estão registrados, o que também ocasionou longas filas em alguns lugares enquanto que em outros houve pouca assistência.

Em relação à falta de material eleitoral, a líder da DA, Helen Zille, ameaçou denunciar a CEI à Justiça por "incompetência para organizar eleições livres e limpas".

Segundo a dirigente opositora, faltaram cédulas e urnas em 24 centros eleitorais de Gauteng e Cabo Ocidental, regiões onde a DA é forte.

O CNA pediu à CEI a ampliação no horário das eleições "para que todos os sul-africanos possam exercer seu direito democrático ao voto", segundo disse a porta-voz do partido, Jessie Duarte.

Segundo o partido governista, falta material eleitoral principalmente em colégios de bairros pobres em várias províncias.

O problema se agravou nas últimas horas de um dia que transcorreu com normalidade. Segundo a presidente da CEI, Brigalia Bam, o pleito se desenvolveu "em paz, tranquilidade e harmonia", sem informações de "violência, ameaças ou intimidações" em nenhum dos quase 20 mil centros de votação do país.

Após votar hoje, Zuma demonstrou estar confiante na vitória do CNA após uma "boa campanha" e assegurou que, desde jovem, "sabia que este dia chegaria".

Antes dele, votaram o Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela; o ex-presidente Thabo Mbeki - destituído por seu próprio partido, o CNA, em setembro passado - e o atual chefe de Estado do país e vice-presidente da legenda governante, Kgalema Motlanthe.

Helen Zille votou na Cidade do Cabo, de onde é prefeita, e afirmou que seu partido "confia em ser a primeira força da província" do Cabo Ocidental, a qual ela pretende governar.

Mvume Dandala, candidato à Presidência pelo Congresso do Povo (Cope, em inglês), cisão do CNA surgida após a destituição de Mbeki, pediu para que os sul-africanos votassem "na esperança" representada por seu partido após o "desânimo" gerado pelo partido governante.

De acordo com Bam, os resultados oficiais serão conhecidos no próximo fim de semana, mas os primeiros dados parciais podem começar a ser divulgados amanhã, já que a apuração deve ter início imediatamente após o fechamento dos centros eleitorais.

Mais de 23 milhões dos 48 milhões de sul-africanos estavam habilitados hoje a escolher os 400 membros da Assembleia Nacional - que designa o presidente do país - e os 90 ocupantes do Senado, além dos legislativos e autoridades das nove províncias. EFE cho/bba

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