Sérvia - A Sérvia realiza amanhã eleições parlamentares consideradas cruciais para o país no que diz respeito a uma futura adesão à União Européia (UE), em um clima de desconfiança com relação ao bloco pela crise envolvendo o Kosovo.

O pleito foi convocado de forma antecipada diante do desacordo entre integrantes da coalizão governamental sobre a vinculação ou não da proclamação de independência do Kosovo ao processo de aproximação da Sérvia à UE.

A Sérvia, que desde a queda do líder autoritário Slobodan Milosevic, parecia unida em torno do objetivo de ingressar na UE, se partiu em dois diante do apoio de muitos países europeus à independência autoproclamada do Kosovo, apesar da oposição de Belgrado.

Embora a maioria dos sérvios ainda afirme querer a adesão do país ao bloco continental, muitos acham inaceitável condicionar isso ao reconhecimento do Kosovo como Estado independente, e temem que essa possa ser uma exigência futura.

Analistas consideram que as eleições de amanhã são tão decisivas como as de 2000, quando teve início a derrocada de Milosevic.

O resultado é incerto, embora os grandes favoritos sejam o reformista Partido Democrático (DS), do presidente Boris Tadic, e o ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS), que no passado foi aliado de Milosevic.

Ambos obterão no total mais de dois terços do apoio dos eleitores sérvios, que, segundo pesquisas, comparecerão em massa às urnas.

Alguns analistas prevêem longas e difíceis negociações após o pleito para a formação do futuro Governo, enquanto não se descartam seu próprio fracasso e a possibilidade de novas eleições.

A polarização do eleitorado diante da situação do Kosovo já ficou patente nas eleições presidenciais de 3 de fevereiro último, quando Tadic venceu por estreita margem o "radical" Nikolic.

O Governo do primeiro-ministro Vojislav Kostunica, junto com o DS de Tadic, tinha como prioridades a manutenção do Kosovo como região sérvia e o ingresso na UE.

Agora, Kostunica, líder do Partido Democrático da Sérvia (DSS), se tornou um implacável crítico da UE. Exige do bloco confirmações sobre respeito à integridade territorial da Sérvia.

Kostunica quer anular o Acordo de Estabilização e Associação (SAA, na sigla em inglês) com a UE assinado na semana passada.

"É necessário agregar três palavras a esse acordo, e são 'Kosovo é Sérvia', para que seja aceitável", destacou Kostunica durante a campanha eleitoral, ao assegurar que a firma desse documento supõe um reconhecimento indireto de Belgrado à independência do Kosovo.

"Para eles, Washington é mais importante que Belgrado, Bruxelas mais que a Sérvia, promessas de doações mais que o Kosovo. Para nós, nada é tão importante como Belgrado, Sérvia e Kosovo", expressou Kostunica em seus comícios, em clara referência a Tadic.

O presidente, por sua vez, acusou Kostunica de utilizar o Kosovo como pretexto para afastar o país do caminho rumo à UE.

Classificou como "sérvios profissionais" Kostunica e seus aliados. Acusou-os de tentar "estabelecer um monopólio sobre todos os assuntos nacionais e patrióticos, algo que lembra muito os anos 1990", do Governo de Milosevic e dos "ultras".

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