Eleições provocam confrontos em Mianmar

Partidos pró-militares devem sair vencedores na votação, criticada por Estados Unidos e Grã-Bretanha

iG São Paulo |

A primeira eleição em 20 anos em Mianmar provocou protestos de minorias étnicas que não puderam participar da votação, realizada no domingo. Na cidade fronteiriça de Myawaddy, rebeldes da etnia minoritária karen entraram em confrontos com soldados.

Segundo o governo da Tailândia, os confrontos deixaram três mortos e 11 feridos. Além disso, pelo menos 10 mil moradores de Mianmar fugiram para a Tailândia. Muitos dos refugiados são mulheres e crianças de acordo com Samart Loyfah, governador da província tailandesa de Tak, perto da fronteira.

AFP
Soldado é visto durante confronto com rebeldes da etnia karen em Mianmar
Os primeiros números divulgados pela imprensa estatal de Mianmar indicam que partidos que apoiam os militares birmaneses devem sair vencedores. A apuração é lenta e deve durar vários dias.

No novo Parlamento, 25% das vagas estão reservadas para generais da ativa. O governista Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD) tinha 27 ministros como candidatos e disputou quase todas as 1.163 vagas que a TV estatal disse estarem em aberto. Seu único rival real, o Partido da Unidade Nacional, também apoiado pelo Exército, disputa 980 vagas.

As complexas regras eleitorais impediram qualquer reviravolta democrática na eleição, que marca o final de meio século de controle direto dos militares sobre a política. A TV estatal informou que o eleitorado votou "com liberdade e felicidade", mas testemunhas relataram irregularidades e baixo comparecimento. Em notas divulgadas separadamente, o presidente dos EUA, Barack Obama, e o chanceler britânico, William Hague, disseram que o pleito birmanês não foi nem justo nem livre.

Passadas as eleições, o foco agora se volta para a dissidente e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, cuja prisão domiciliar expira no sábado. Ela passou 15 dos últimos 21 anos detida.

Suu Kyi conclamou seus seguidores a boicotarem a eleição de domingo. Seu filho mais novo, Kim Aris, viajou da Grã-Bretanha a Bangcoc, provocando especulações de que ela seria solta em breve, mas a embaixada birmanesa rejeitou nesta segunda-feira a solicitação de visto de entrada para ele.

Com Reuters

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