Eleições põem à prova missão da Otan no Afeganistão

As eleições presidenciais desta quinta-feira no Afeganistão representam um marco no processo de estabilização do país e, ao mesmo tempo, constituem uma prova de fogo para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e sua capacidade de garantir um clima de relativa segurança durante o pleito.

EFE |

À medida que a votação foi ficando mais próxima, aumentaram os confrontos entre os soldados da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), liderada pela Otan e integrada por militares de 42 países, e os rebeldes talibãs, que decidiram boicotar a eleição.


Segurança reforçada visa evitar ataques no Afeganistão / AFP

Por conta dos combates frequentes, julho foi o mês no qual as tropas estrangeiras mais perderam homens desde que, há quase oito anos, desembarcaram no Afeganistão: 76, segundo o site independente Icasualties.org.

Já no primeiro dia como novo secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, que assumiu o cargo este mês, disse que seu principal objetivo à frente da organização é a melhora da segurança no Afeganistão e a progressiva transferência dessa tarefa às autoridades locais.

"Acho que, durante meu mandato, os afegãos assumirão responsabilidades de segurança na maior parte do país", destacou Rasmussen, que, no entanto, afirmou que as forças aliadas continuarão em solo afegão pelo tempo que for necessário.


Painel com propaganda dos candidatos em Cabul / Reuters

Para deixar claro seu compromisso, Rasmussen viajou ao Afeganistão logo após virar secretário-geral da Otan. No país, ele voltou a cobrar mais coordenação entre os militares e as organizações civis que trabalham para evitar que o Afeganistão vire a "estação central" do terrorismo islâmico.

Rasmussen, ex-primeiro-ministro dinamarquês, também demonstrou pragmatismo ao defender possíveis negociações com os rebeldes dispostos abandonar as armas, visão apoiada pelo Governo americano e que o atual presidente afegão, Hamid Karzai, se comprometeu a pôr em prática se vencer as eleições.

Sobre o que não há dúvidas, segundo o novo secretário-geral da Otan, é que é preciso aumentar o número de tropas no país para que a missão internacional no Afeganistão seja bem-sucedida.


Hamid Karzai é o favorito à reeleição / AP

A esse aumento, porém, se opõem os países que já têm tropas em solo afegão, dadas as perspectivas de mais mortes e de que a permanência dos soldados volte a ser ampliada.

No momento, a Isaf tem mais de 60 mil soldados no Afeganistão, dos quais cerca da metade são americanos.

Esse número não inclui as tropas americanas que participam da missão dos EUA dedicada exclusivamente ao combate de terroristas da Al Qaeda.

Segundo o mandato da ONU que ampara a missão, esta tem como objetivo apoiar as autoridades do Afeganistão no processo de estabilização do país, tarefa na qual as tropas americanas trabalham junto com o Exército afegão.

Os soldados da Isaf também ajudam a formar, treinar e equipar os militares do Afeganistão. Além disso, colaboram em tarefas de reconstrução, na distribuição de ajuda humanitária e na luta contra o narcotráfico.

Inicialmente encarregada de fazer a segurança de Cabul e seus arredores, a Isaf teve seu mandato ampliado pela ONU em 2003, quando a Otan assumiu a liderança da missão e esta se estendeu a todo o país.

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