Rússia realiza eleições para definir novo Parlamento

Grupos de observadores e membros da oposição reclamam de fraudes e violações em favor do partido de Putin na votação deste domingo

iG São Paulo |

AP
O presidente russo, Dmitri Medvedev, votou neste domingo em um colégio eleitoral de Moscou, capital do país
As eleições parlamentares que são realizadas na Rússia transcorreram em aparente calma e com um nível de participação similar ao da votação anterior, segundo as autoridades eleitorais russas. Alguns partidos de oposição e membros de entidades observadoras, entretanto, apontaram algumas violações e levantaram suspeitas sobre a legitimidade da votação deste domingo.

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Enquanto no extremo oriente da Rússia as votações terminaram, o pleito mal começou para os eleitores da parte europeia do país, a mais povoada, porque o território russo abrange nove fusos horários. Os locais de votação permanecerão abertos até às 20h local (2h de segunda-feira em Brasília), e depois começará a apuração.

Os primeiros resultados, os das regiões do extremo oriente da Rússia, serão divulgados só depois do fechamento dos colégios de Kaliningrado, o que vai acontecer às 20h, no horário de Brasília. Um total de quase 110 milhões de russos foram convocados às urnas para escolher os 450 deputados da Duma, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

É esperado que a votação de hoje enfraqueça o partido Rússia Unida, liderado pelo premiê Vladimir Putin, apesar do esforço do governo em marginalizar os grupos de oposição. De acordo com uma pesquisa de boca de urna divulgada pela TV estatal russa, o partido de Putin recebeu 48,5% dos votos contra os 64% recebidos em 2007.

Outra pesquisa, da organização VTSIOM, deu ao Rússia Unida 48%, enquanto uma do grupo FOM colocou em 46%.

Embora Putin e seu partido tenham dominado a vida política russa por mais de uma década, o descontentamento da população com o estilo "homem forte" de Putin parece crescer cada vez mais, impulsionado pela corrupção das autoridades.

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Atualmente, o partido de Putin possui dois terços de Duma, mas caso as tendências demonstradas pelas pesquisas de boca de urna se comprovem, o Rússia Unida não terá o número de vagas necessárias para fazer alterações na Constituição sem ser questionado.

O premiê russo quer que seu partido vá bem nas parlamentares, para, assim, facilitar seu caminho para seu retorno à presidência em uma eleição que acontece daqui a três meses. Ele alertou que um parlamento com um grande número de partidos iria levar a uma liderança política instável e disse que os governos do ocidente querem minar a votação.

Somente sete partidos puderam se inscrever nessas eleições para o Parlamento, enquanto à oposição mais ferrenha foi negado o registro e o direito de fazer campanha.

Violações

O Partido Comunista e o liberal Partido Yabloko reclamaram neste domingo de violações com o objetivo de dar mais votos à Rússia Unida e de dificultar o trabalho de seus observadores.

Em Vladivostok, eleitores reclamaram com a polícia que a Rússia Unida estava oferecendo comida de graça em troca do voto ao partido. Em São Petersburgo, um fotógrafo da Associated Press viu um botton da Rússia Unida preso na cortina de um colégio eleitoral.

Uma entidade de fiscalização financiada pelo Ocidente e dois órgãos de imprensa independente disseram que seus sites foram fechados por hackers na tentativa de silenciar acusações de fraude. Páginas pertencentes à rádio Ekho Moskvy, ao portal Slon.ru e ao órgão Golos saíram do ar por volta das 8 horas (horário local). "Grandes cyberataques estão ocorrendo no sites do Golos e no mapa mostrando violações," afirmou o Golos no Twitter.

Golos, o único grupo de observação eleitoral independente do país, disse que na cidade do Samara do Rio Volga, observadores e membros da comissão eleitoral de partidos da oposição foram impedidos de verificar se as urnas estavam seladas.

Washington afirmou que se preocupa com a "forma de assédio" contra o órgão.

O editor-chefe da Ekho Moskvy, Alexei Venediktov, escreveu no Twitter: "É óbvio que o ataque no dia da eleição no site (da rádio) é parte de uma tentativa de impedir a publicação de informações sobre as fraudes."

Mikhail Kasyanov, ex-primeiro ministro quando Putin era presidente, disse que ele e outros ativistas da oposição que votaram no domingo não têm nenhuma ilusão de que a contagem será justa. "Está absolutamente claro que não haverá contagem real", disse. "As autoridades criaram uma imitação de uma instituição muito importante, cujo nome é eleição livre, não é livre e não é eleição."


O atual presidente russo, Dmitri Medvedev, que deixará o posto em março para o retorno de Putin, rejeitou as acusações de fraude. A promotoria pública e a Comissão Central de Eleições não foram encontradas para comentar o assunto.

O líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, afirmou que parecem ter havido fraudes em várias das 93 regiões russas. "Acabei de falar com nosso pessoal na Sibéria e no extremo leste e a situação é muito preocupante," afirmou.

A Rússia tem um total de 110 milhões de eleitores e o comparecimento em muitas áreas foi aparentemente baixo no domingo. Nas regiões da Costa Pacífica, a participação popular foi em torno de 45% a 48% faltando duas horas para o fechamento das urnas.

Em outras regiões, como em Moscou, o comparecimento foi bastante alto. Em Magadan, onde os colégios abriram às 10h (23h de sábado em Brasília), a cinco horas do início da votação tinham ido às urnas 52,91% dos eleitores.

Com EFE e AP

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