Eleições nos EUA chegam à reta final após grandes disputas e gastos recordes

Teresa Bouza. Washington, 29 out (EFE).- As eleições presidenciais dos Estados Unidos se aproximam da reta final após quase dois anos de campanha, primárias muito disputadas, além de arrecadação e despesas recordes, que transformarão esta disputa na mais cara da história do país.

EFE |

Já ficam bem para trás as previsões de 2007 que apontavam uma disputa final entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Rudy Giuliani.

Giuliani se distinguiu por sua aposta atípica, que desdenhou os dois Estados que iniciaram em janeiro o processo de primárias, Iowa e New Hampshire, e favoreceu outros de maior tamanho como Michigan, Califórnia, Illinois, Nova York e Flórida.

Seus cálculos se mostraram equivocados, e os decepcionantes resultados resultados nas primárias da Flórida - nas quais o ex-prefeito nova-iorquino ficou em terceiro - levaram à sua renúncia antecipada em fevereiro.

Bem diferente foi a briga travada pela senadora Hillary Clinton, que lutou até junho em primárias que registraram grandes audiências televisivas e levantaram um interesse sem precedentes dentro e fora do país.

A histórica batalha entre uma mulher e um afro-americano, Barack Obama, foi decidida a favor do segundo em junho, quando o senador por Illinois assegurou a candidatura e encerrou as primárias que deixaram o partido temporariamente dividido.

Na frente republicana, John McCain selou a candidatura em março em primárias que pouco entusiasmaram e nas quais o senador pelo Arizona se impôs por seu perfil moderado e independente, condizente com as circunstâncias políticas do momento.

Seus atos de campanha entre março e junho não chamaram a atenção dos meios de comunicação hipnotizados com o duelo de titãs travado no lado democrata.

O começo da campanha propriamente dita em junho focou as atenções em Obama e McCain, que começaram a expor suas principais linhas de estratégia para a vitória no pleito de 4 de novembro.

O democrata manteve sua mensagem positiva de mudança e acusou McCain de "representar mais quatro anos de políticas fracassadas do presidente George W. Bush".

McCain, por sua vez, tentou reafirmar sua fama de rebelde, um político heterodoxo disposto a enfrentar de saída temas como meio ambiente, tortura e reforma migratória.

Além disso, concentrou seus ataques a Obama na falta de experiência do senador por Illinois, 25 anos mais jovem que ele.

Em meados do ano, a campanha republicana lançou uma campanha audiovisual negativa contra Obama com memoráveis anúncios como "Celebrity" (Celebridade), no qual o democrata apareceu retratado como um fenômeno de massas com pouca substância.

A tática funcionou durante algum tempo e permitiu que McCain se mantivesse empatado com seu rival nas pesquisas durante semanas.

No final de agosto vierade agosto vieram as convenções, nas quais Obama compareceu acompanhado de seu companheiro de chapa, Joe Biden, um senador veterano.

McCain, enquanto isto, apresentou como vice a desconhecida governadora do Alasca, Sarah Palin, uma bomba-relógio que parece ter feito mais mal do que bem ao candidato republicano.

A escolha da inexperiente e conservadora Palin representou uma concessão à ala mais direitista do partido, para a qual McCain acabou dando o braço a torcer de forma progressiva em temas como política fiscal e reforma migratória.

Entretanto, o verdadeiro ponto de inflexão chegou em meados de setembro, quando a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers intensificou de forma dramática a crise que se arrastava há meses no país, o que prejudicou os republicanos, culpados da mesma por muitos eleitores.

A sorte de McCain, que até então tinha mantido a queda-de-braço com Obama, começou a diminuir quando as pesquisas de opinião começaram a situá-lo atrás do rival, tanto em nível nacional quanto em alguns dos estados decisivos para a disputa, como Virgínia, Pensilvânia ou Colorado.

Os republicanos afirmam que a situação continua muito disputada em alguns dos 12 principais estados.

A solução ao enigma será revelada em poucos dias, quando os americanos elegerão nas urnas o próximo presidente do país.

O Center for Responsive Politics, um centro de estudos com sede em Washington, diz que estas serão as eleições presidenciais mais caras da história, com valores que rondam os US$ 2,4 bilhões.

Caso também sejam contabilizadas as campanhas paralelas, como as legislativas (a Câmara de Representantes e um terço do Senado serão renovados em 4 de novembro), a conta poderá subir para US$ 5,3 bilhões, segundo a organização. EFE tb/ev/fal

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