Eleições no Nepal terminam com três mortes e grande índice de participação

Por Julia R. Arévalo Katmandu, 10 abr (EFE).

EFE |

- Os nepaleses madrugaram hoje para fazer fila em frente aos colégios eleitorais do país, em um dia de eleições no qual foram registradas três mortes e uma participação de 60% dos eleitores.

"As eleições transcorreram em paz em todo o país, com exceção de alguns poucos incidentes", disse em entrevista coletiva o chefe da Comissão Eleitoral, Bhoj Raj Pokharel, que confirmou a informação sobre a participação em entrevista coletiva em Katmandu.

O candidato independente Sambhu Prasad Singh morreu baleado 15 minutos antes do fechamento dos colégios eleitorais em Sarlahi, na convulsa região de Terai, onde grupos armados da etnia madhesi haviam pedido boicote à votação.

Os madhesi, de origem indiana, são maioria na convulsa região de Terai, onde uma outra pessoa faleceu em choques entre simpatizantes do Partido do Congresso Nepalês e do Fórum pelos Direitos do Povo Madhesi (MPRF, na sigla em inglês).

Outro caso de morte ocorreu em um confronto entre militantes do Partido do Congresso Nepalês e do MPRF.

Além disso, uma hora após o fechamento das urnas, foi registrada uma terceira morte por disparos da Polícia, que tentava evitar o roubo de urnas no distrito de Siraha, também em Terai.

As vítimas de hoje elevam para 23 o número de mortes violentas ocorridas no país desde que teve início a campanha eleitoral.

Os enfrentamentos, que se concentraram fundamentalmente em Terai, forçaram a suspensão da votação em 33 das 20.888 mesas eleitorais do país, segundo Pokharel, que ainda assim qualificou a jornada de "satisfatória".

"A julgar pelo número de colégios afetados, é possível dizer que poderia ter sido muito pior", informou à Efe o chefe da missão de observadores da União Européia (UE), Ian Mulder.

Em inspeção pelas zonas eleitorais da região de Katmandu, o observador disse que percebeu um ambiente tranqüilo, com "gente fazendo fila e madrugando para votar, algo impensável na Europa".

"Minha impressão é de que o entusiasmo pelas eleições é grande", disse o comissário europeu.

Para o chefe da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) que vigia o processo de paz no Nepal, Ian Martin, "o sentido de (que se está fazendo) História é evidente", e por isso as eleições tiveram alta participação.

Estas eleições, as primeiras no país desde 1999, fazem parte do acordo de paz que o Governo de Koirala assinou em novembro de 2006 com o líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, pondo fim a uma década de guerra civil, que deixou mais de 13 mil mortos.

Após votar em Chitwan (sul), Prachanda, disse estar contente de poder "realizar o sonho dos mártires".

Fontes policiais informaram à Efe que um dos incidentes que obrigou a suspender a votação em um colégio foi registrado em Chitwan, onde militantes rivais queimaram as cédulas em protesto porque um grupo de maoístas os impedia de votar.

O oficial Arjun Pant, um dos encarregados da custódia das urnas, explicou à Efe que os símbolos colocados nas cédulas que representam cada partido - foice e martelo para maoístas, vaca para monarquistas - ajudaram os analfabetos a votar.

O resultado do pleito só deve ser divulgado dentro de pelo menos dez dias. EFE ja/rr/gs

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