Eleições no Nepal terminam com duas mortes e grande índice de participação

Os nepaleses madrugaram hoje para fazer fila em frente aos colégios eleitorais do país, em um dia de eleições no qual foram registradas duas mortes e uma participação de 60% dos eleitores.

EFE |


O chefe da Comissão Eleitoral, Bhoj Raj Pokharel, confirmou a informação sobre a participação em entrevista coletiva em Katmandu, na qual explicou que um candidato independente morreu baleado pouco antes do fechamento dos colégios eleitorais na região de Sarlahi, que fica na planície de Terai.

O outro caso de morte ocorreu em confronto entre militantes do Partido do Congresso Nepalês e do regionalista Fórum pelos Direitos do Povo Madhesi (MPRF, na sigla em inglês).

Todos os episódios de violência, que ocorreram em número menor que o esperado, foram registrados nessa cidade ao sul, onde se concentra a minoria étnica madheshi, e na qual alguns grupos armados haviam pedido boicote ao pleito.

Apesar do alto nível de violência que era esperado, uma fonte da Comissão Eleitoral disse à Efe que as atividades foram suspensas em apenas seis dos 9.821 colégios eleitorais do país.

"A julgar pelo número de colégios afetados, é possível dizer que poderia ter sido muito pior", informou à Efe o chefe da missão de observadores da União Européia (UE), Ian Mulder.

Em inspeção pelas zonas eleitorais da região de Katmandu, o observador disse que percebeu um ambiente tranqüilo, com "gente fazendo fila e madrugando para votar, algo impensável na Europa".

"Minha impressão é de que o entusiasmo pelas eleições é grande", disse o comissário europeu.

Para o chefe da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) que vigia o processo de paz no Nepal, Ian Martin, "o sentido de (que se está fazendo) História é evidente", e por isso as eleições tiveram alta participação.

O pleito é o quarto desde que o país restaurou a democracia, em 1990, o que culminou em um processo de paz que pôs fim a uma década de guerra entre o Governo e a guerrilha maoísta no final de 2006.

Após votar em Chitwan (sul), o líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, disse estar contente de poder "realizar o sonho dos mártires".

Fontes policiais informaram à Efe que um dos incidentes que obrigou a suspender a votação em um colégio foi registrado em Chitwan, onde militantes rivais queimaram as cédulas em protesto porque um grupo de maoístas os impedia votar.

O oficial Arjun Pant, um dos encarregados da custódia das urnas, explicou à Efe que os símbolos colocados nas cédulas que representam cada partido - foice e martelo para maoístas, vaca para monarquistas - ajudaram os analfabetos a votar.

O resultado do pleito só deve ser divulgado dentro de pelo menos dez dias. EFE ja/rr/gs

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