Eleições no Afeganistão foram justas, mas não livres, diz UE

Por Adam Entous e Hamid Shalizi CABUL (Reuters) - A eleição presidencial do Afeganistão foi, em geral, justa mas não completamente livre por causa da violência e do clima de medo impostos pelo Taliban, que gerou um baixa presença nas urnas no sul do país, jornais europeus disseram no sábado.

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Os resultados do pleito ainda não foram publicados mas ambos os lados estão declarando vitória. Contudo, o enviado de Washington à região Richard Holbrooke disse que o presidente Hamid Karzai e seu principal rival Abdullah Abdullah haviam prometido respeitar o resultado e evitar a violência.

Diplomatas dizem esperar que Karzai vença a primeira rodada, mas as pesquisas estão muito apertadas para dizer se o atual presidente terá uma maioria absoluta ou se ele terá de enfrentar Abdullah num segundo turno.

Autoridades ocidentais e do Afeganistão se mostraram aliviadas que a violência não impediu a eleição de acontecer na quinta-feira passada depois que militantes to Taliban prometeram parar o processo e realizar ataques esporádicos no país todo na manhã da eleição.

Ataques e ameaças assustaram muitas pessoas, em especial no sul do país, onde o Taliban tem mais força. Já que se esperava que os eleitores no sul apoiassem Karzai, a baixa presença nas urnas lá aumenta a chance de haver um segundo turno.

A eleição foi, em geral, justa, disse o general Philippe Morillon, líder da missão de observação das eleições da União Européia. "Mas livre não seria o caso em algumas partes do país por causa do terror", afirmou.

A UE, como outros grupos ocidentais que acompanharam o processo eleitoral, teve poucos funcionários que conseguiram chegar às violentas províncias do sul.

Ao menos nove civis afegãos e 14 membros das forças de segurança foram mortos no dia da eleição, quando bombas choveram sobre as cidades, especialmente na região sul.

O maior grupo local de observação das eleições, a Fundação para uma Eleição Livre e Justa no Afeganistão (FELJA), disse que observadores viram alguns casos de fraude e irregularidades.

Ao descrever um caso notável de intimidação, o chefe da FELJA Jandad Spinghar disse que militantes cortaram dois dedos de eleitores na região rural de Arghandab, um distrito da província de Kandahar, porque seus dedos estavam sujos de tinta que provava que as pessoas haviam votado. Autoridades distritais não confirmaram os casos.

Abdullah também reclamou de fraude. Autoridades eleitorais dizem haver investigado todas as reclamações formais e que têm métodos elaborados para determinar se as urnas são genuínas e excluir as falsificadas. Essa seria uma das razões porque o resultado da eleição está demorando tanto a ser divulgado.

A eleição é um importante teste para Karzai depois de oito anos no poder, assim como para a estratégia do presidente Barack Obama de levar mais milhares de soldados americanos para derrotar o Taliban e seus aliados islâmicos e estabilizar o Afeganistão.

Karzai é de etnia pasthun do sul, enquanto Abdullah - metade pasthun e metade tajique - recebe a maior parte do seu apoio da minoria tajique no norte.

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