Eleições na Espanha: direita toma a Galícia, suspense no País Basco

Os socialistas no poder na Espanha perderam a Galícia (noroeste) para a direita, e o Partido Nacionalista Basco (PNV) venceu no País Basco (norte), mas ainda não sabe se conseguirá se manter no poder, segundo os resultados definitivos das eleições regionais disputadas neste domingo.

AFP |

De fato, no País Basco, onde os socialistas chegaram em segundo lugar, os partidos não nacionalistas, entre eles a oposição de direita, podem, pela primeira vez, formar uma maioria absoluta no Parlamento regional.

Na Galícia, os socialistas do chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, pagaram o preço da grave crise econômica que assola a Espanha, marcada pela disparada do desemprego (13,1% da população ativa, recorde na União Europeia).

Liderados por Alberto Muñoz Feijoo, os conservadores do Partido Popular (PP, direita), que tinha perdido a região em 2005 após 24 anos no poder, obtiveram uma maioria absoluta de 39 cadeiras de um total de 75 no Parlamento regional da Galícia.

Eles derrotaram os socialistas (24 cadeiras) e seus aliados regionalistas do Bloco Nacionalista Galiciano (BNG, 12 cadeiras), segundo resultados quase definitivos.

O líder socialista na Galícia, Emilio Perez Touriño, já admitiu a derrota, sem esperar a apuração dos votos dos 335.000 galicianos do exterior, que só será conhecido daqui a vários dias.

No País Basco, os socialistas perderam sua aposta de superar o PNV, que dirige a região há 29 anos. Ainda assim, obtiveram o melhor resultado de sua história.

O PNV de Juan José Ibarretxe venceu com uma maioria relativa de 30 cadeiras, de um total de 75. Contudo, os péssimos resultados obtidos por seus aliados EA e EB (uma cadeira cada um) fazem com que ele não esteja garantido de continuar no poder, mesmo se contar com o apoio do movimento separatista não violento Aralar, que faturou quatro cadeiras graças principalmente à exclusão inédita da votação de todos os partidos separatistas radicais ligados ao ETA.

O Partido Socialista Basco chegou em segundo lugar com 24 cadeiras, contra 13 para a direita e uma para o pequeno partido antinacionalista UDP, ou seja, uma maioria absoluta teórica de 38 cadeiras.

Assim, a bola está no campo dos socialistas, que podem se aliar com o PNV ou dirigir a região com o apoio do bloco antinacionalista.

O candidato socialista, Patxi Lopez, avisou que não desistiu de se candidatar ao cargo de chefe do governo regional, apesar da vitória relativa do PNV.

Entretanto, os socialistas também podem tomar a decisão de se unir ao PNV em troca de seu apoio permanente no Parlamento nacional, onde têm apenas uma maioria relativa.

Durante a campanha eleitoral, Lopez descartou uma aliança com a direita, mas também com um PNV "liderado por Ibarretxe", o atual chefe do governo regional.

Alguns incidentes foram registrados neste domingo no País Basco. Em Bilbao, militantes separatistas xingaram candidatos que iam votar, entre eles o próprio Patxi Lopez.

Durante a madrugada, jovens radicais promoveram atos de violência urbana, e um suposto membro do ETA suspeito de preparar um atentado foi detido.

pal/yw

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