Resultados preliminares mostraram que o partido multiétnico SDP apresentou melhor desempenho

Resultados iniciais das eleições deste fim de semana na Bósnia apontaram nesta segunda-feira para um impasse político em linhas étnicas, apesar de o filho moderado do líder muçulmano do período de guerra ter sido um dos prováveis eleitos à Presidência tripartite do país - formada por um croata, um muçulmano e um sérvio.

Resultados de mais de metade dos votos apurados para o Parlamento central mostraram que a maioria dos muçulmanos se desviou dos nacionalistas, tendo o partido multiétnico SDP a presença mais forte. Os sérvios permaneceram fiéis ao partido nacionalista.

Centro Eleitoral em Sarajevo faz contagem dos votos
AFP
Centro Eleitoral em Sarajevo faz contagem dos votos
Desde as eleições de 2006, a desconfiança tem crescido entre os líderes nacionalistas croatas, sérvios e muçulmanos, e divergências políticas aumentaram entre as duas regiões autônomas do país, a federação muçulmana-croata e a república sérvia.

Uma possível vitória de partidos promovendo políticas diametralmente opostas dá pouca esperança de que uma coalizão nacional possa ser formada em breve e sejam realizadas reformas no país, disseram analistas e diplomatas.

As perspectivas divergentes nas duas metades do país são "tão distantes que está completamente indefinido quais partidos terão sucesso em chegar a um acordo para formar uma maioria no Parlamento em nível de Estado", disse Milos Solaja, diretor do Centro de Relações Internacionais da capital da República Sérvia, Banja Luka.

UE e Otan

Acompanhadas pelo Ocidente, em busca de sinais indicando se a Bósnia irá se aproximar da União Europeia ou da Otan ou mergulhar mais na estagnação, as eleições foram prejudicadas pela investigação de uma possível fraude na eleição presidencial sérvia.

Bakir Izetbegovic, do Partido da Ação Democrática Bósnia - filho do presidente no período da guerra, Alija Izetbegovic - venceu a corrida para a representação muçulmana na Presidência, com mais de 90 por cento dos votos apurados no domingo.

Ele é considerado mais preparado para trabalhar com outros grupos étnicos do que o atual presidente, Haris Silajdzic.

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