Carlos A. Moreno.

Rio de Janeiro, 3 out (EFE).- As eleições do próximo domingo definirão os prefeitos de mais de cinco mil municípios, mas o interesse nacional se centrará em São Paulo e Belo Horizonte, onde estarão em jogo estratégias para as eleições presidenciais de 2010.

"Em São Paulo e Belo Horizonte há um claro movimento de líderes políticos que começam a se posicionar para as eleições presidenciais de 2010. No resto do país, os interesses são muito locais", disse hoje à Agência Efe o professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderá concorrer às próximas eleições presidenciais, já que foi eleito em 2002 e reeleito em 2006 e a Constituição não lhe permite um terceiro mandato consecutivo. Por isso, tanto seus aliados quanto a oposição tentam se posicionar para a corrida por sua sucessão.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, medirão forças diretamente uma das principais e mais fiéis correligionárias de Lula e o apadrinhado de um dos principais líderes da oposição e provável aspirante à Presidência em 2010.

Trata-se da ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, candidata do PT, e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab, candidato à reeleição pelo opositor DEM e que tem como padrinho o governador do estado, José Serra.

Em Belo Horizonte, quem exporá sua força é o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que decidiu apoiar o governista Márcio Lacerda em uma tentativa de demonstrar que pode ser um sério candidato para as presidenciais de 2010.

Os resultados das eleições nessas duas cidades podem ser vitais para as aspirações de três políticos que figuram entre os mais prováveis candidatos à chefia do Estado: Marta, Serra e Aécio.

"Basicamente a que mais está movimentando suas fichas nas municipais de olho nas presidenciais é Marta Suplicy. Ela não quer só a Prefeitura de São Paulo. Está usando as eleições para se promover e manter suas bases mobilizadas", disse Caldas.

Apesar de Lula ter manifestado seu apoio à possível candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Marta, que lidera as pesquisas de intenções de voto em São Paulo, espera reverter essa situação.

"Se conseguir um resultado positivo nas municipais, ela apresentará esse resultado perante o PT para mostrar que é a única que tem votos", afirma Caldas, já que Dilma é considerada mais técnica que política.

Já Serra, que foi derrotado por Lula no segundo turno das presidenciais de 2002, e Aécio, que tem a simpatia de uma ampla gama de partidos, como integrantes do PSBD, mantêm uma disputa para ser o candidato do principal partido de oposição.

Serra se manteve distante das municipais, porque, contra sua vontade, o PSDB postulou como candidato o ex-governador Geraldo Alckmin, mas poderá participar da campanha do segundo turno já que, segundo as pesquisas, a Prefeitura só será definida no dia 26 deste mês, entre Marta, que tem 35% das intenções de voto, e Kassab (27%).

"Serra tende a apoiar Kassab no segundo turno, mas, perante a possibilidade de uma vitória de Marta Suplicy, não deixou sua candidatura a presidente muito dependente do resultado das municipais", explica Caldas.

Por outro lado, Aécio apostou todas as suas fichas nas municipais ao traçar um impensável acordo entre o PT e o PSDB para apoiar a candidatura de Lacerda à Prefeitura de Belo Horizonte.

Ao contrário do que se prevê para São Paulo, Lacerda pode conseguir a vitória em Belo Horizonte ainda no primeiro turno, já que as pesquisas dão a ele 45% do favoritismo.

Segundo Caldas, "com a vitória de seu candidato em Belo Horizonte, Aécio mostraria que pode ser um candidato de consenso e suprapartidário" para as presidenciais. EFE cm/ab/rr

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