Eleições municipais na Nicarágua registram alguns incidentes

Manágua, 9 nov (EFE) - Os nicaragüenses foram hoje às urnas para renovar os prefeitos de 146 dos 153 municípios do país, incluindo a capital, Manágua, em um dia no qual foram registrados incidentes com um saldo de três detidos e dois feridos. Os 11.808 colégios eleitorais abriram as portas, com relativa normalidade, às 7h (11h de Brasília) nos 146 municípios da Nicarágua, e os eleitores precisaram enfrentar longas filas para votar.

EFE |

No total, 3,8 milhões de nicaragüenses foram convocados às urnas nas eleições, que servirão também para medir o grau de aceitação popular da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), preste a completar dois anos no poder sob a Presidência de Daniel Ortega, segundo analistas.

A poucas horas do fechamento dos centros de votação, a jornada eleitoral transcorreu com calma, mas com pequenos incidentes e denúncias de supostas irregularidades, que foram minimizadas pelas autoridades e observadores credenciados.

A diretora da Polícia nacional, Aminta Granera, confirmou que há três pessoas detidas por participar de incidentes isolados e que os cidadãos votam "em paz e segurança".

No entanto, o deputado liberal opositor José Pallais disse à Agência Efe que, na cidade de León, 90 quilômetros ao noroeste de Manágua, dois pessoas ficaram feridas e outra foi agredida em um confronto entre sandinistas e opositores nos arredores de um colégio eleitoral.

Segundo Pallais, "multidões" sandinistas bateram em um liberal e jogaram spray em dois simpatizantes do partido. Ele afirma ter sido atingido pelo líquido no peito, sem gravidade.

O legislador disse que os partidários "do FSLN estão dando ordem à Polícia" e andam armados com "pedaços de paus" para "intimidar" a população que não se identifica com o partido do Governo.

No centro assistencial de León ainda não foi reportada a entrada de nenhuma pessoa ferida nos choques.

Os candidatos à Prefeitura de Manágua, o sandinista e ex-tricampeão mundial de boxe Alexis Argüello e seu rival liberal, o legislador opositor Eduardo Montealegre, votaram poucas horas depois da abertura dos centros de votação nesta capital.

Os sandinistas governam a capital desde 2000, quando Herty Lewites, já falecido, foi eleito prefeito, e passou a militar na dissidência aberta no partido.

O atual prefeito é o também sandinista Dionisio Marenco, que buscou distanciamento do presidente Ortega.

Argüello, que foi uma personalidade mundial do boxe, se mostrou confiante em que vencerá as eleições e considerou que, com o triunfo, ganhará "um quarto título mundial", já que durante sua carreira conquistou três premiações máximas no esporte.

Ele defendeu que quem vencer as eleições se dedique a resolver os problemas do município de Manágua pelos próximos quatro anos, e a cumprir ao pé da letra o que foi prometido.

Montealegre, ex-candidato presidencial, economista e opositor, disse que confia "na inteligência de seus compatriotas" para que "a democracia" triunfe em Manágua e no resto do país.

"Não podemos agüentar a atual situação que impera na Nicarágua, onde uma mudança é necessária", declarou Montealegre, da aliança opositora que lidera o Partido Liberal Constitucionalista (PLC).

Na disputa por Manágua também estão outros três candidatos de partidos minoritários, que, segundo todas as pesquisas, não têm chances de ganhar.

Os sandinistas controlam 87 municípios, incluindo 14 cabeceiras departamentais, entre elas Manágua; já a aliança opositora liberal domina 57 Prefeituras, incluindo duas cabeceiras departamentais. Os outros municípios são administrados por pequenos partidos.

O processo é vigiado por 150 observadores internacionais que pertencem ao Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (Ceela) e ao Protocolo de Tikal e Protocolo de Quito, integrado por magistrados e ex-funcionários eleitorais da América Central, do Caribe e da América do Sul.

O principal partido de oposição desqualificou os membros do Ceela por ser "de credibilidade questionável".

A autoridade eleitoral não credenciou grupos locais como Ética e Transparência e o Instituto para o Desenvolvimento e a Democracia (Ipade), também não autorizou representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União Européia (UE), do Centro Carter e de outros organismos internacionais.

Ortega desqualificou na véspera a observação da OEA, do Centro Carter e dos observadores nacionais em um ato realizado com autoridades eleitorais e os observadores credenciados.

Participam do pleito o governante FSLN, a aliança PLC e os minoritários Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), Alternativa pela Mudança (AC) e Partido Resistência Nicaragüense (PRN).

Os opositores Movimento Renovador Sandinista (MRS) e Partido Conservador (PC) não participarão pois a Justiça Eleitoral anulou suas personalidades jurídicas sob a acusação de descumprir várias disposições da lei eleitoral.

Cerca de 21.800 policiais e militares vigiam as eleições, nas quais distintas autoridades governamentais, religiosas, sociais e empresariais do país pediram para que os resultados sejam respeitados.

Está previsto que os colégios eleitorais fechem por volta das 18h (22h de Brasília) e que os primeiros resultados preliminares sejam divulgados às 23h (3h de segunda-feira de Brasília). EFE lfp/db

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