Eleições legislativas confirmam tendência à direita da Coréia do Sul

Cecilia Heesook Paek Seul, 9 abr (EFE).- O conservador Grande Partido Nacional (GNP, em inglês), do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, obteve hoje uma clara vitória nas eleições legislativas, cujos resultados evidenciaram a derrota do bloco progressista e confirmaram a tendência para a direita deste país.

EFE |

Segundo a agência sul-coreana "Yonhap", com a maioria dos votos apurados o GNP conseguiu 152 cadeiras da Assembléia Nacional, enquanto os progressistas do Partido Democrático Unido (UDP, em inglês) obtiveram apenas 81.

A Assembléia Nacional da Coréia do Sul possui 299 cadeiras e até agora era dominada pelo bloco progressista, com 136 cadeiras frente a 112 do GNP.

O nível de 46% de participação nas eleições (14,6 pontos percentuais a menos do que em 2004), realizadas dois meses após o pleito presidencial que deu a vitória a Lee Myung-bak, foi o mais baixo na democracia sul-coreana.

A vitória do GNP facilitará a gestão do presidente para realizar seu ambicioso programa econômico e mudar de rumo em relação ao regime comunista da Coréia do Norte.

Sua intenção é empreender reformas econômicas liberais, o endurecimento da política com Pyongyang e ambiciosos projetos de infra-estrutura, como uma rede de canais que cruzaria todo o país.

A partir de agora Lee Myung-bak terá o apoio do Parlamento em seu mandato de cinco anos, que até agora se caracterizou por tensionar as relações com o regime comunista da Coréia do Norte e por poucas medidas concretas em matéria econômica.

As eleições e a campanha foram marcadas pela falta de um programa eleitoral que chamasse a atenção dos cidadãos e a uma generalizada falta de interesse pelos eleitores.

Os analistas afirmam que a indiferença e a desconfiança dos eleitores ao sistema político, assim como a rivalidade inflamada dos partidos, são as causas da baixa participação.

Alguns observadores definiram como "crise da democracia" o fato de a participação ter sido inferior a 50%.

As autoridades sul-coreanas já previam a queda da participação e tentaram intervir com medidas curiosas, como descontos em museus para os cidadãos que fossem votar.

No entanto, nem os descontos nem os pedidos de comparecimento conseguiram incentivar os eleitores a irem às urnas.

O presidente do GNP, Kang Jae-sup, disse que o povo sul-coreano decidiu "outorgar a maioria" a seu partido para que o presidente Lee Myung-bak restaure "a economia do país".

Por outro lado, o presidente do UDP, Sohn Hak-kyu, aceitou "com humildade" a vontade popular e reconheceu que a renovação proposta por seu partido não foi bem aceita pelos cidadãos.

Apenas 17,4 milhões de cidadãos, entre os 37,8 milhões aptos a votar, compareceram às seções eleitorais segundo a Comissão Eleitoral da Coréia do Sul. EFE ce/wr/fal

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