Eleições legislativas colocam à prova Governo de Cristina

Buenos Aires, 21 jun (EFE).- Faltando uma semana para as eleições legislativas na Argentina, as pesquisas preveem hoje uma briga voto a voto entre Governo e oposição na província de Buenos Aires, a mais povoada e que costuma marcar tendência sobre o que ocorre no resto do país.

EFE |

Em meio a uma "guerra" de pesquisas com diferentes resultados, os analistas coincidem em que o peronismo, no poder, perderá a maioria parlamentar e alguns até predizem o fim da liderança do casal Kirchner, que governa desde 2003.

No próximo domingo, um total de 27,79 milhões de argentinos devem comparecer às urnas para renovar a metade das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço dos 72 do Senado, além das legislaturas provinciais e municipais.

Na província de Buenos Aires, que concentra 38% do censo nacional, as pesquisas de intenção de voto mostram uma grande paridade entre o ex-presidente peronista Néstor Kirchner (2003-2007) e o empresário opositor Francisco de Narváez.

Os dois lideram, respectivamente, as listas de candidatos a deputados pelo distrito do governista Frente para a Victoria (FV) e da União-Pró, uma coalizão que reúne forças conservadoras com setores do peronismo dissidente.

Das seis pesquisas divulgadas hoje, em cinco Kirchner supera De Narváez por entre um e sete pontos percentuais, enquanto a empresa de consultoria Poliarquía concede ao empresário 32,5% de intenção de voto, contra 30% do ex-presidente e marido de Cristina Fernández de Kirchner.

"O cenário continua sendo de uma notória paridade. Qualquer um dos dois pode ganhar", disse Fabián Perechodnik, um dos diretores da Poliarquía, que explicou que, dos 1.200 consultados pela empresa, 9,5% disseram que ainda não decidiram o voto.

Kirchner é a máxima autoridade do Partido Justicialista (peronista), e o União-Pró reúne dirigentes dessa força que rejeitam a liderança do ex-presidente, por isso o analista Rosendo Fraga crê que as "eleições de Buenos Aires se transformaram em primárias do peronismo".

Já a também analista Graciela Römer afirmou que em 28 de junho os argentinos participarão de "uma grande eleição interna na qual vão começar a se perfilar as lideranças para as eleições presidenciais de 2011".

"Embora vença, o Governo já perdeu posições no Parlamento", disse a socióloga, enquanto Fraga ressaltou que o Executivo "pode reunir 30% dos votos em nível nacional e perderá 15 pontos frente a 2007", quando Cristina se transformou na primeira mulher a ser eleita presidente da Argentina.

Em Buenos Aires, o segundo distrito eleitoral do país, a maioria das pesquisas prevê uma ampla vitória da União-Pró e localizam a FV em quarto, atrás dos opositores Acordo Cívico e Social (ACS) e Projeto Sul.

O Governo também aparece bastante atrás nas províncias de Córdoba e Santa Fé, no centro do país, já que na primeira o candidato a senador favorito é Luis Juiz, da local Frente Cívico.

Já na segunda cidade a briga pelo primeiro lugar se dá entre o presidente do Partido Socialista, Rubén Giustiniani, e o peronista dissidente e ex-piloto de Fórmula 1, Carlos Reutemann.

Neste contexto, Kirchner continuará esta semana com os comícios proselitistas pela região em torno da capital argentina, onde nesta quinta-feira liderará uma manifestação que marcará o fechamento de sua campanha.

De Narváez, que nos últimos dias alertou para a possibilidade de o Governo tentar fraudar as eleições deste domingo, se dedicará principalmente a repartir cédulas da União-Pró.

Por sua parte, o ACS, frente opositora que reúne a União Cívica Radical (segunda legenda parlamentar do país), a Coalizão Cívica e o Partido Socialista, denunciou que existe um "pacto peronista" entre os seguidores de Kirchner e De Narváez.

Os partidos destinaram 150 milhões de pesos (US$ 39,5 milhões) à campanha, e a metade deste valor será gasto entre hoje e a próxima sexta-feira, quando começará a proibição eleitoral, segundo estimativas de agências propagandistas divulgadas hoje pelo jornal "Clarín". EFE hd/db

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