Os israelenses votavam nesta terça-feira para desempatar a direita, de Benjamin Netanyahu, do partido centrista, de Tzipi Livni, em eleições marcadas por um crescimento da extrema-direita após a guerra em Gaza.

A votação termina às 22H00 (20H00 GMT) e os três principais canais de televisão divulgarão, então, as primeiras estimativas.

Trinta e três chapas estão em disputa nessas legislativas realizadas ao final de uma campanha sem paixão e sob o impacto da ofensiva de Israel contra o Hamas em Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro.

São marcadas, também, por um crescimento do partido de extrema-direita Israël Beiteinou de Avigdor Lieberman, em duelo apertado com o ex-primeiro-ministro Netanyahu, chefe do Likud, principal partido de oposição de direita, e a ministra das Relações Exteriores Livni, na liderança do Kadima, a formação de centro-direita no poder.

"Os que querem trilhar um novo caminho vão se juntar ao Likud e a mim", declarou Netanyahu ao depositar seu voto numa urna de Jerusalém.

Mas as pesquisas internas de seu partido indicam uma erosão da direita em benefício da extrema-direita.

"Da mesma forma com que votei um +sim+ ao Kadima na urna, muitos outros vão fazer o mesmo", declarou Livni em Tel Aviv, pedindo aos eleitores para não se deixarem desencorajar pela chuva.

Votando em casa - a colônia de Nokdim (Cisjordânia) - Lieberman, por sua vez, apelou a "todos os cidadãos de Israel, cristãos, muçulmanos e judeus, a se pronunciarem".

O número de indecisos ainda está elevado e constitui, com a participação final, a grande incógnita do pleito.

Uma grande apatia contrasta com o tamanho dos desafios que o próximo governo terá que enfrentar: riscos de um novo confronto com o Hamas que controla Gaza, retomada das negociações de paz com a Autoridade Palestina, dossiês sírio e libanês, ameaça de um Irã nuclear.

Tudo isso num contexto internacional difícil e com um novo governo americano menos inclinado que o precedente a um apoio incondicional a Israel.

Segundo as últimas pesquisas que remontam à sexta-feira, o Likud e o Kadima, devem conquistar 25 mandatos cada um.

Israël Beiteinou poderia chegar numa terceira posição, avançando sobre os trabalhistas de centro-esquerda do ministro da Defesa, Ehud Barak.

5.278.985 eleitores estão inscritos em 9.263 seções eleitorais. Os resultados completos devem ser anunciados na manhã de quarta-feira, ou na quinta.

Durante a campanha, nem Benjamin Netanyahu nem Tzipi Livni excluíram a possibilidade de governar ao lado de Avigdor Lieberman, que fez toda a campanha questionando a "lealdade" da minoria árabe de Israel (1,2 milhão de habitantes, ou seja, cerca de 20% da população).

A votação se desenvolve em clima de alta vigilância pelo temor de um atentado palestino, de foguetes lançados da Faixa de Gaza, ou de incidentes.

Cerca de 16.000 policiais foram mobilizados e o exército impôs um fechamento total da Cisjordânia.

pa/cls/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.