'Eleições em Mianmar não serão justas', diz líder pró-democracia

Prêmio Nobel da Paz e candidata a um assento no Parlamento, Suu Kyi denuncia irregularidades na campanha eleitoral

iG São Paulo |

A líder birmanesa pró-democracia Aung San Suu Kyi afirmou nesta sexta-feira que as eleições parlamentares marcadas para este domingo em Mianmar “não serão justas nem livres”, denunciando uma série de irregularidades durante a campanha. No entanto, ela defendeu a importância de a oposição seguir na disputa como forma de fortalecer o processo democrático.

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De acordo com Suu Kyi, candidatos opositores foram intimidados, tiveram seus pôsteres de campanha vandalizados e, em alguns casos, agredidos fisicamente.

“Não podemos dizer que essas eleições serão livres e justas, e algumas das irregularidades foram cometidos por integrantes do governo”, afirmou. “Ainda assim, estamos determinados a seguir em frente porque acreditamos que é isso que nosso povo quer”, afirmou.

Suu Kyi é candidata nas eleições de domingo, nas quais 45 assentos do Parlamento serão disputados. A Liga Nacional pela Democracia (LND), partido no qual Suu Kyi construiu toda sua carreira, briga por 44 deles.

A eleição será acompanhada com atenção pela comunidade ocidental, que durante décadas isolou o país mas agora retoma contatos diplomáticos e suspende sanções em resposta às reformas promovidas pelo presidente Thein Sein, ex-oficial do Exército.

Mianmar passou décadas sob sucessivos regimes limitares que cancelaram as eleições de 1990, que dariam a vitória para a Liga Nacional de Suu Kyi, que foi presa. A líder, vencedora do Nobel da Paz, foi libertada em 2010 . No mesmo ano, quando ainda estava em prisão domiciliar, seu partido boicotou as eleições alegando irregularidades.

"É um momento crítico para o governo, sua prova fundamental", declarou Toe Zaw Latt, diretor do gabinete de Bancoc da Voz Democrática de Mianmar, um grupo de birmaneses em exílio.

No ano passado, o parlamento aprovou uma lei garantindo o direito de protestar, e melhorias foram feitas em áreas como a imprensa, o acesso a internet e a participação política. A LND, que boicotou as primeiras eleições, é agora um partido registrado.

Mas o governo que está no poder desde março ainda é dominado por militares e os compromissos de Mianmar com a democracia e sua boa vontade em limitar seus laços com a China são incertos. O governo ainda é marcado por corrupção, centenas de prisioneiros políticos permanecem na cadeia e conflitos étnicos ainda tomam conta do país. O Exército é acusado de torturar e matar, segundo grupos ativistas de direitos humanos.

Com AP e AFP

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