Além do atual presidente, que está há 23 anos no poder, outros sete candidatos concorrem ao pleito

As quartas eleições presidenciais da história de Burkina Fasso transcorrem neste domingo sem registros de graves incidentes até o momento e, ao que tudo indica, o atual governante, Blaise Compaoré, será renovado no cargo máximo do Estado.

Alguns eleitores já aguardavam às 6h local (4h de Brasília) em colégios de votação da capital, Ouagadougou, para comparecer às urnas.

O horário previsto para o encerramento do sufrágio é às 18h local (16h de Brasília). A imprensa local não registrou até o momento atos de violência relacionados ao pleito. O que dizem as notícias são algumas curiosidades, como a instalação de urnas debaixo de árvores em zonas eleitorais da província ocidental de Tuy, na falta de lugares mais adequados para a votação.

Segundo informações da rádio local, os delegados da oposição se destacavam pela ausência nas regiões do Sahel (norte) e do leste de Burkina Fasso - um país denominado Alto Volta até 1984. Nessas regiões, só havia presença dos representantes do Congresso pela Democracia e Progresso (CDP), partido de Compaoré.

Além do atual presidente, que está há 23 anos no poder e venceu as três eleições anteriores, outros sete candidatos concorrem ao pleito deste domingo, para o qual foram mobilizados 12.649 centros de votação nas 45 províncias das 13 regiões do país.

O maior temor das autoridades é a baixa participação popular, em um país de 16,3 milhões de habitantes onde só há 3.239.852 eleitores registrados. Destes, até este sábado, apenas cerca de 60% haviam recolhido suas cédulas de votação.

Nesta manhã, em um dos centros de votação de Ouagadougou, vários eleitores, que não tinham nem carteira de identidade nem cédula eleitoral, tentaram votar apresentando suas certidões de nascimento, mas foram impedidos.

Cerca de 10 mil agentes de segurança, entre policiais e militares, se encarregam de garantir a normalidade das eleições. Além disso, por volta de 4 mil observadores, nacionais e estrangeiros, supervisionam o sufrágio. Segundo as pesquisas, o presidente Compaoré, eleito em 2005 com mais de 80% dos votos, tem pouco a temer quanto aos seis candidatos que estão concorrendo: Bénéwendé Stanislas Sankara, Hama Arba Diallo, Boukary Kaboré, François Kaboré, Emile Paré e Maxime Kaboré.

Caso seja reeleito, este seria o segundo mandato de Compaoré desde a reforma constitucional que limita a dois períodos de cinco anos na Presidência. Por isso, ele teria de deixar o cargo em 2015. O CDP, no entanto, já manifestou que pretende modificar novamente a Constituição para que Compaoré permaneça indefinidamente no cargo máximo do Estado.

A oposição e diversas organizações sociais são contrárias a esta pretensão do partido governista.

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