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Eleições dos EUA: ex-pastor de Obama revive fator racial

A volta à cena do ex-pastor de Barack Obama, o controverso Jeremiah Wright, trouxe a questão racial para o debate presidencial, no momento em que o candidato se esforça para seduzir o eleitorado operário branco, que sempre foi um dos seus pontos fracos.

AFP |

Desde o fim da semana passada, o reverendo Wright está em todos os canais de televisão. Entrevista na rede pública PBS na sexta-feira, sermão em uma igreja de Dallas no domingo, mais uma entrevista na convenção do NAACP (a mais importante associação de negros americana de defesa dos direitos cívicos) em Detroit na noite de domingo: o pastor Wright está por toda a parte, não deixa de falar de seus propósitos controversos e chega em um péssimo momento para Obama.

Após as derrotas em Ohio e na Pensilvânia, a campanha do senador por Illinois está em um momento decisivo. Se pretende definitivamente vencer a rival Hillary Clinton, Obama precisa conquistar os eleitores brancos da classe operária.

Obama se esforça para seduzir esta categoria de eleitores que terão um papel determinante nas primárias de Indiana no dia 6 de maio.

"E a questão racial é um dos fatores levados em conta pelos trabalhadores brancos", afirma Clay Richards, vice-diretor do Instituto de Pesquisa da Universidade de Quinnipiac.

O efeito das ações do pastor Wright sobre este eleitorado branco é difícil de medir mas não deverá ajudar Obama.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pela revista Newsweek, 41% dos americanos dizem ter modificado a sua opinião de uma maneira desfavorável para o senador após ter tomado conhecimento dos sermões controversos do reverendo.

"O reverendo Wright fala em nome do reverendo Wright", afirmou nesta segunda-feira David Axelrod, conselheiro de Obama.

Obama não deve "ser responsabilizado pelos discursos que não pronunciou e pelas coisas que não aprova", acrescentou.

Os americanos conheceram o pastor Wright no início de março, quando começaram a circular na internet sermões inflamados do antigo responsável do Trinity United Church for Christ de Chicago. Nesses, Wright afirmava, entre outras propostas, que os negros americanos deveriam "amaldiçoar os Estados Unidos" pelo racismo.

aje/fb/sd

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