Eleições britânicas confirmam derrota dos trabalhistas

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, permanecia neste sábado sob a ameaça de uma rebelião, apesar do remanejamento ministerial anunciado na véspera, num momento em que os resultados das eleições locais confirmaram a derrota do Partido Trabalhista.

AFP |

De acordo com números quase definitivos, os trabalhistas perderam para a oposição conservadora todos os conselhos locais que ainda controlavam na Inglaterra, única região envolvida na votação organizada quinta-feira ao mesmo tempo que as eleições europeias.

A Inglaterra foi submergida por uma verdadeira onda azul, a cor do Partido Conservador, no que foi considerado o pior resultado dos trabalhistas em eleições locais desde a Segunda Guerra Mundial.

A insatisfação da população, alimentada pelo escândalo do uso indevido de verbas públicas por deputados, também permitiu ao partido de extrema-direita BNP ganhar seus primeiros cargos eletivos locais.

Diante da magnitude da derrota, a imprensa considerava neste sábado que o remanejamento anunciado sexta-feira por Brown não bastaria para garantir sua sobrevivência. "Ele sobreviveu. Por enquanto", estampou em sua manchete o Daily Telegraph. "Gordon ainda está de pé, mas cambaleante", destacou o Financial Times.

Alheio à polêmica, o premier britânico foi à França para assistir às cerimônias do 65º aniversário do desembarque aliado na Normandia. "Continuamos o trabalho em andamento, sem nos deixar distrair", afirmou.

Limitado, o remanejamento de sexta-feira não foi suficiente para calar os apelos à renúncia de Brown. "Gordon Brown é um morto vivo", escreveu o Sun.

E outra "humilhação" aguarda o primeiro-ministro na noite de domingo, quando serão divulgados os resultados das eleições europeias, advertiu o Financial Times. De fato, um novo revés alimentará a "revolta dos camponeses", nome dado pela imprensa ao levante dos deputados trabalhistas que pedem a saída de Brown.

Estes deputados prometem conseguir uma petição com "70 a 80 assinaturas", um número suficiente para provocar a eleição de um novo líder no Partido Trabalhista. "O destino de Brown pode ser selado na noite de segunda-feira, durante uma reunião dos deputados trabalhistas" em que os votos dos "rebeldes" serão contabilizados, avisou o jornal The Guardian, próximo dos trabalhistas.

"Segunda-feira, os deputados trabalhistas deverão determinar se Gordon Brown é um perdedor ou um vencedor", resumiu sexta-feira à noite Stephen Byers, tradicional adversário de Brown.

Diante da rebelião, os aliados do premier também se manifestaram neste sábado. O novo ministro da Cultura, Ben Bradshaw, disse "esperar" que os militantes "se reúnam em volta do governo".

Já Neil Kinnock, ex-líder do Partido Trabalhista, ironizou sobre o "pequeno número de rebeldes".

Se houver, de fato, uma eleição para substituir Brown, resta saber quem vai querer assumir o comando do partido, pouco antes de eleições legislativas anunciadas como desastrosas para os trabalhistas e que devem ser convocadas antes de junho de 2010.

"Um regicídio (contra Brown) pode se transformar em suicídio coletivo", destacou o Guardian.

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